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Mostrando postagens com o rótulo tagore

Procuro por Ti, Senhor! - Tagore (1060)

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Busco-Te por tanto tempo, sem Te encontrar. Desejo estar na Tua presença, mas és inatingível para mim, a Tua figura impoluta. Como o rio que precisa despejar-se no mar, tento esvaziar-me no Teu oceano de amor. Como a chuva que dessedenta a aridez da terra, tento mitigar minhas sedes na Tua fonte inesgotável de bênçãos. Como o horizonte que anseia pelo brilho do nascer do sol, eu aguardo o nascimento da Tua luz em mim. Como o céu que admira o voo dos pássaros, eu procuro a liberdade de Tuas asas para voejar ao Teu ninho em encontro. Como o vento que sussurra calmo no capinzal, busco a serenidade do Teu sopro nos acordes da paz. E as saudades doridas por Ti, reverberando no meu peito, me trazem audácia para indagar-Te no meigo momento: “Oh, meu Amo, quando poderei estar ao Teu lado? Quantas vidas hei de padecer antes de poder estar no Teu regato?” Depois do longo silêncio e como um trovejar, ouço tua voz magnânima estrondar nas cavernas dos meus ouvidos, dizendo dentro de mim: “Não perg...

​Mônadas de luz - Tagore (1045)

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  Nesses   dias   acalorados   de   lembranças,   vaguei  pelos   rincões   da   Terra, retornando às epopeias do meu espírito quando sedento de ti. Ainda não sabia que escalaria as paredes rochosas do meu coração, e na câmara secreta do meu querer, Te instalaria para todo o sempre, preenchendo todo o vazio dessas existências premidas pelas buscas sem   fim do Teu amor. E me vi, nos folguedos de criança, a balançar nas copas das árvores, a degustar os frutos saborosos nos acepipes da natureza, ainda tolo e insolente, nas brumas dos sonhos alados do infante. Adiantei   o  passo! E me vi, o jovem cheio de aspirações, entontecido pelos livros, debruçado nas letras, onde encontrei oportunidade de adornar os versos, pobres, é verdade, mas saídos do meu sentimento mais caloroso em amores doridos por Ti. Caminhei mais um pouco e vi as cãs alvas tomarem minha cabeça cheia de ideais, a senilidade tombar lentamente o vaso físico, en...

Dona da vida - Tagore (1041)

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Veio de muito longe, vestida num longo esvoaçante e deixou todos embevecidos. Seus gestos eram ritmados, qual balé na aurora nascente desfilando. Seu perfume exalava inebriante, qual flor que ainda não se abriu. Seus olhos tragavam os nossos, que hipnotizados se deixavam levar pelo brilho daqueles olhos magnetizadores. Sentou-se ao meu lado e me sentia engolfado pelos seus tentáculos, que abraçavam tudo, num tato inusitado. E me disse: “Olha o horizonte!”. E olhei ao largo, perdendo a vista da visão. E ela me disse: “Longe está a vida, a satisfação. As alegrias lá se encontram. Não nesse hoje enfadonho e ruidoso.” O vento moveu seus cabelos encantadores, e neles vi o movimento das estações. Primavera, verão, outono, inverno, tudo passava em sua presença. Senti uma alegria silenciosa, repleto, como a terra que bebe a chuva em goles sem que ninguém se dê conta. Quis perguntar seu nome, mas temi que ao nomeá-la, eu a tornasse alguém comum. E me senti criança, daquelas ingênuas que acredit...

Altar Secreto - Tagore (1034)

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Busquei-Te nas estrelas longínquas, mas encontrei-Te nas lágrimas de um sofredor. Quando quis abraçar tudo, retendo, esvaiu-se pelos meus dedos às posses. Quando, mãos abertas, doei, vi chegar aos meus cestos a abundância. Quis bater as portas dos céus, mas entendi que antes se fazia necessário abrir primeiro as portas do meu coração. Ó presença sem fronteiras! Chegaste como um clarão, luzindo as distâncias, retumbante como trovões anunciando as tempestades do meu eu, que no fragor das ventanias, encontra arrimo na Tua figura, impedindo minhas esperanças serem levadas pelo vendaval das provações. E me pediram para defini-Lo, tentei até, porém, como traduzir a profundeza não emoldurada, já que os rasos não podem designar sobre os superabundantes? Tola tentativa a de tentar defini-Lo. E pensava que Tu não me conhecia, todavia era eu que não cogitava de ti. Tu é a brisa que suave conhece cada uma das folhas e sabe o perfume distinto de cada flor. Ajoelhei-me defronte dos altares de pedra,...

Chegaste enfim - Tagore (1015)

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Mergulhei no oceano de divagações e perdi-me nas ilusões dolorosas do mundo. Afastei-me de Ti, e a vida tornou-se sofrível silêncio para mim. O vento calou seu sussurro. As nuvens se esconderam por detrás do cinza platinado do céu nublado. A floresta não murmurava mais. Os pássaros retornaram aos ninhos e calaram-se, adormecidos. A cascata emudeceu, e os rios pararam de correr nas margens. As palmeiras silenciaram, calando sua viração. Ao longe, o horizonte descortinava o nada. O músico deixou o alaúde repousar, e não mais se ouviu seu dedilhar cativo. As cordas do instrumento emudeceram, e, sem uso, partiram. A tristeza chegou, abraçando o dia, trazendo negatividade. O choro era taciturno lamento, derramando lágrimas sem fragor. As cores fugiram, e a negritude tomou conta da minha vida. A terra ficou muda, e calada, a noite desceu sobre ela. Percebi que foram silenciosos os dias sem a Tua presença. Até que Te encontrei nas veredas do meu mundo. E tudo mudou… Replicaram os sinos, badal...

Por Ti serei - Tagore (1004)

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Nas minhas experiências oníricas, quando a janela dos meus olhos se cerram à noite, a liberdade dos meus sonhos me leva ao país da imensidão; coroado de esperanças, vou ao Teu encontro. As barreiras se desfazem, e vejo vir, alado, no sussurro do vento, as palavras que me somam para versar sobre Tua grandeza. De longe vejo-o no Teu trono de radiância, Teu cedro de justiça à destra, Tua capa de paz aos ombros. Tua estatura é maior do que a das montanhas. E Teus olhos brilham quais safiras cintilantes e penetram na minha pequenez. E eu me sinto tolo, aparvalhado, intentando trazer algo para Quem tudo é. Menestrel, por que insisto em planger as cordas do meu alaúde, musicando versos pobres que não chegam até Ti? Por serem insignificantes e desprovidos de graça. E ouço Tua voz retumbante ecoar no vazio da noite. E ela me diz: — “A música não é para Mim; ela serve para sensibilizar teu coração. E então, só assim, tu escutarás a Minha canção”. Ah, Senhor! Piso as flores, macerando-as na retir...

Salvo de Si Mesmo - Tagore (978)

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Nas quadras distantes do meu viver, debrucei-me sobre profundas lembranças do meu crescer. Ainda infantil, embevecido pelas transformações da vida, enamorado dos gozos, fui refém dos desejos pueris. Traguei os prazeres e, de mãos dadas com a juventude, embalado nas festividades do mundo, entontecido pelas coisas ilusórias, trafeguei nas avenidas largas dos vícios e me perdi nas noites escuras do viver bestial. Não sabia eu dessas verdades que se descortinam após a aduana da morte, desse país largo e sensório que se desdobra quando desvestimos o corpo. Por quê? Por que não falam às crianças, desde as tenras idades, essas verdades sobre o mundo cabal que as cerca? Não dizem a elas que todos nós estamos imersos nesse oceano de energias, e que nos ouvem e nos veem esses seres alados, residentes da Vida Maior, espreitando nossas horas e interagindo no nosso viver. E, tolos que somos, nos perdemos nessas esquinas enganosas do chão, nos enamoramos dos alaúdes dessas alegrias rasas, e nossos ...

Teu Reino de Amor - Tagore (968)

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Chegaste vindo de outro mundo, das estrelas distantes, dos mundos perfeitos e  iluminados, e plantaste o Amor no solo sáfaro desta Terra. Abandonaste a casa de plenitudes e vieste em missão restauradora para este ambiente árido e carente de luz, por amor, por amor… Enquanto comprávamos no mercado das ilusões, procurando, nas prateleiras dos vícios, as fantasias, Tu trouxeste a verdade. Queríamos tão somente os devaneios. Nossas vontades melindrosas desdobravam-se nas paixões tolas, que nos fascinavam a sanha dos desejos. Através do Teu amor, o vinagre ácido dos ódios tornou-se doce vinho. Através do Teu amor, as dúvidas se fizeram certezas da razão. Através do Teu amor, o profano transformou-se em sagrada tentativa. Através do Teu amor, as insanidades se alinharam em equilíbrio redentor. Quando chegou Tua luz, as sombras bateram em retirada, e raiou o dia da liberdade ensolarada. Pois só Tu, Amado, podes amparar os caídos, renovar os vencidos e transmutar a...

Vou ao Teu encontro - Tagore (957)

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Estranhas que sempre falo dEle? Sentencias que me demoro demasiado no mesmo tema. Mas, quanto mais dEle falo, mais tenho a dizer. Não percebes que é Ele o responsável por tudo? Ele é tudo, o tudo Ele é. Foste mineral e vivestes na imobilidade da rocha. Foste vegetal e vivestes no silêncio da planta. Foste animal e vivestes pelo instinto. E agora és homem, Tua consciência te fala dEle e não queres ouvir? Não sejas tão tolo. Te incomodas tanto que Ele por mim seja constantemente reverenciado? Pois te digo: Se me calo, falarão os inanimados, pois Ele é a totalidade do conjunto e a natureza, repetidas vezes, grita bem alto o nome dEle. Mesmo que as vozes humanas silenciem, o próprio mundo é manifesto constante da presença divina dEle. E mais, digo-te em segredo: quando sobre Ele falo, é do Amor que falo, e o Amor não se repete, é sempre novo, como novo é cada sopro de vento. Nos pomares da existência, nos jardins da vida, há flores semelhantes que exalam o mesmo perfume, sem serem iguais. ...

Nas águas calmas do teu Amor - Poeta Amigo (936)

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Ó Babaji, me vi na soleira da existência, triste,acabrunhado e temeroso. Foi quando, no deserto da minha alma, pensei em Ti e a ampulheta do tempo estacionou e, me vi auscultando os segredos do Cosmos. Antes do não ventre, Tu já existia pulsando avida. És o Verbo Divino, a raiz e a seivasustentando o caule. És o silêncio intraduzível que fala alto aos corações. És o mistério da definição. Antes de tudo, Tu jáeras o infinito. Nos Teus olhos brilham as galáxias, ofuscando asestrelas onde teus mundos pulsam. O tempo Te pertence. O passado, o futuro e oagora é Tua eternidade. Antes dos rios, Tu já eras água. Antes do céu, eras o firmamento. O vento assobia e...

Mônadas espirituais - Simão (921)*

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          Debrucei-me longamente estudando acerca do Teu mandato de Amor e entendi que todos os escritos são pobres para traduzir-Te a essência da bondade indizível.     Nesses campos vastos da existência, entre os amanheceres e o anoitecer dos séculos, Tua voz ressoa convidando-nos à harmonia perdida.     Nas severas teimosias da nossa agitação, somos como o rio que insiste em correr contra a correnteza, perdendo-se nos afluentes da presunção.     Como a flor que se abre ao tépido beijo do sol da manhã, ansiamos pelo calor das Tuas palavras, abrindo as comportas cerradas do nosso coração amarfanhado pelos erros.     Vestidos de orgulho, tropeçamos, topando nos cascalhos da arrogância, no desiderato da ignorância que nos fascina. Em vez de ouvirmos a plácida voz da Tua serenidade, escolhemos escutar o próprio íntimo iludido pelas fantasias tolas, nos mirrados presentes desses prazeres insossos da Terra.    ...

Bailar contigo - Poeta amigo (897)

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Tricotei as palavras, aformoseando-as, unindo-as, letra a letra, ponto a ponto, intentando costurar a veste de amabilidade para uso dos corações endurecidos, na tolice, acreditei que meu verbo doce poderia tocar os brutos. Te apresentei aos belicosos, favorecendo os conceitos da pacificação, porém, eles preferiram continuar nas lutas sangrentas das suas guerras infantis. Discursei sobre Tua justiça na corte dos corruptos, que malsinaram a palestra, escarnecendo-a sobre uma falsa ótica de manipuladora dos sentidos. E se foram, apaixonados por seus lucros momentâneos. Tentei falar de Ti no antro dos vícios, mas passaram por mim, como se ali eu não estivesse, enebriados pelos prazeres rutilantes das tentações. Clamei pela pureza da Tua doutrina de amor nos templos da religião. Mas, instigados e crentes em serem os únicos detentores da verdade, não me deram crédito. Teu bálsamo salutar, ofereci aos enfermos. Contudo, eles fizeram um pacto com suas doenças e preferiram tornarem-se dependent...