​Mônadas de luz - Tagore (1045)



 

Nesses dias acalorados de lembranças, vaguei pelos rincões da Terra, retornando às epopeias do meu espírito quando sedento de ti.

Ainda não sabia que escalaria as paredes rochosas do meu coração, e na câmara secreta do meu querer, Te instalaria para todo o sempre, preenchendo todo o vazio dessas existências premidas pelas buscas sem fim do Teu amor.

E me vi, nos folguedos de criança, a balançar nas copas das árvores, a degustar os frutos saborosos nos acepipes da natureza, ainda tolo e insolente, nas brumas dos sonhos alados do infante.

Adiantei o passo!

E me vi, o jovem cheio de aspirações, entontecido pelos livros, debruçado nas letras, onde encontrei oportunidade de adornar os versos, pobres, é verdade, mas saídos do meu sentimento mais caloroso em amores doridos por Ti.

Caminhei mais um pouco e vi as cãs alvas tomarem minha cabeça cheia de ideais, a senilidade tombar lentamente o vaso físico, enquanto junto à natureza, percebi-Te, arauto das belezas, que nem nós, poetas, podemos versar.

E como galho ressequido Tu me tomaste. E ao Teu toque mavioso transformou-me em flauta doce e me fez sonar melodias embalando as canções sensíveis aos ouvidos apaixonados.

Quando então vi o barco de Carontes chegar, chamando-me à outra margem da existência.

Deixei o corpo caudilho, e adentrei a embarcação que retira todos os véus, navegando pelos oceanos das disposições, viajando ao país das verdades.

E da margem de cá vi os que na margem daí vivem suas fantasias, correndo, tolos, atrás de quimeras, perdidos nos devaneios humanos, embriagados pelos prazeres do mundo, nesse labirinto intrigado das validações humanas.

Afastados de Ti, são como nubentes sem pai, órfãos de certezas, escravos do tilintar das moedas.

E pergunto aos Brahmas: “porque desde crianças eles não são ensinados e encaminhados ao Teu amor?”.

Porque esses brilhos opacos do mundo ofuscam a visão e nublam os sentidos, nos pensamentos dessas famílias que querem abraçar o sucesso, quando toda a glória parte somente de Ti.

És o rei da humildade!!

E me dizes: “usa tua pena e faz a tinta dançar na alvura das folhas, e chama essas ovelhas perdidas para o pasto seguro, ordenhando-as a seiva do amor”...

Rabi, tenho desfiado as palavras, juntado verbetes, sonado árias, mas os corações querem outras palavras, não essas do teu iluminado alfabeto.

Mas, entendo... essas notas dissonantes fogem da partitura eterna, quando no ritmo da carne não podem ouvir as tuas músicas de paz.

Mais tarde, exauridos dessas canções vazias, nas celebrações das lascívias, rotos e descamados, caídos mil vezes, voltarão os olhos ao alto, e no suplício da sanidade, no zimbório estrelado, avistarão o Teu chamado, tremeluzindo no veludo da escuridão, norteando-os a seguir Teus passos pela primeira vez, procurando a Estrela Guia.

Ó Paladino!

E a mutação tomará vulto, a lagarta deixará o casulo e voará ao Teu encontro, e blandícias invadirão esses órfãos, e já não serão solitários, mas cientes de Ti.

Além de todos os ocasos, brilha Tua luz, e nesses aniversários da vida, comemoramos não o nascimento do corpo, mas o do espírito ao encontrar a Ti, Essência da vida, Governador dasaspirações e Menestrel de todas as alegrias, e como grande família que festeja junto, comemoramos ter Te encontrado e fazer parte de Ti como mônadas de luz.

 

Tagore

Mensagem psicografada na reunião mediúnica do dia 07 de maio de 2026 (aniversário de nascimento de Tagore), na cidade do Salvador, Bahia, pelo médium Jorge Antônio.




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