Altar Secreto - Tagore (1034)
Busquei-Te nas estrelas longínquas, mas encontrei-Te nas lágrimas de um sofredor. Quando quis abraçar tudo, retendo, esvaiu-se pelos meus dedos às posses. Quando, mãos abertas, doei, vi chegar aos meus cestos a abundância. Quis bater as portas dos céus, mas entendi que antes se fazia necessário abrir primeiro as portas do meu coração. Ó presença sem fronteiras! Chegaste como um clarão, luzindo as distâncias, retumbante como trovões anunciando as tempestades do meu eu, que no fragor das ventanias, encontra arrimo na Tua figura, impedindo minhas esperanças serem levadas pelo vendaval das provações. E me pediram para defini-Lo, tentei até, porém, como traduzir a profundeza não emoldurada, já que os rasos não podem designar sobre os superabundantes? Tola tentativa a de tentar defini-Lo. E pensava que Tu não me conhecia, todavia era eu que não cogitava de ti. Tu é a brisa que suave conhece cada uma das folhas e sabe o perfume distinto de cada flor. Ajoelhei-me defronte dos altares de pedra,...