Altar Secreto - Tagore (1034)

Busquei-Te nas estrelas longínquas, mas encontrei-Te nas lágrimas de um sofredor.

Quando quis abraçar tudo, retendo, esvaiu-se pelos meus dedos às posses. Quando, mãos abertas, doei, vi chegar aos meus cestos a abundância.

Quis bater as portas dos céus, mas entendi que antes se fazia necessário abrir primeiro as portas do meu coração.

Ó presença sem fronteiras! Chegaste como um clarão, luzindo as distâncias, retumbante como trovões anunciando as tempestades do meu eu, que no fragor das ventanias, encontra arrimo na Tua figura, impedindo minhas esperanças serem levadas pelo vendaval das provações.

E me pediram para defini-Lo, tentei até, porém, como traduzir a profundeza não emoldurada, já que os rasos não podem designar sobre os superabundantes? Tola tentativa a de tentar defini-Lo.

E pensava que Tu não me conhecia, todavia era eu que não cogitava de ti. Tu é a brisa que suave conhece cada uma das folhas e sabe o perfume distinto de cada flor.

Ajoelhei-me defronte dos altares de pedra, sentei as mesas fartas com castiçais dourados e talheres prateados. Bebi nos vasos sagrados dos Hindus, contudo foi na choupana modesta que Tua tradução ressoou no meu íntimo, mostrando que a Tua grandeza se revela exatamente junto aos pequenos gestos da humildade.

E quando finalmente entendi Tua magnitude, enamorei-me de Ti perdidamente, Senhor. Sorriu meu peito, esquecido da alegria sobre as poeiras do medo.

E quis despejar-me todo na completude da Tua imensidão, assim como o rio deságua no mar, eu quis desembocar no oceano da Tua pulcritude, mas minhas águas turvas e sujas não poderiam chegar às nascentes cristalinas do Teu Eu.

Sentinela das Estrelas! Quanto mais verso sobre Ti, mais sinto apequenarem-se as palavras, pois os verbos são tão parvos para traduzir quem Tu és: o finito pode falar sobre o infinito? Não!

Teu silêncio é nota para todas as músicas. Teu olhar é horizontes infinitos na cegueira de nossas almas. Tuas mãos são ferramentas de criação para nossa falência de aptidões.

Se de Ti nos afastamos, perdidos ficamos nos labirintos dessas existências.


Porque amar é tocar-Te. Servir é sentir-Te.

E perdoar é revelar-Te em mim…

Desejaria muito dizer algo que pudesse esclarecer a todos os perdidos, o mapa desse encontro. Mas Teu farol luzindo nas noites já é bússola conduzindo à topografia do desconhecido, achando todos os perdidos.

E mesmo os náufragos na iminência de afundarem nesse mar de erros, são salvos pela boia reconfortante do Teu socorro tolerante.

E nessas viagens todas que fiz queria era encontrar-Te, mas descobri que, enquanto buscava-Te nos longínquos sítios da minha estadia, não era eu que te chamava, era Tu que dentro de mim gritava para acordar- me as ilusões.

Sou oração que caminha a Teu encontro. Cada gesto meu é pétala despedaçada da flor que Tu construíste em mim, onde Teu caule compõe minha eternidade.

E quando serenei e pude vislumbrar Teu reduto, parti célere ao Teu redil, sabendo estar seguro nos escudos do Teu amor. E digo a todos esses que ainda, néscios, não te conhecem, que vale a pena se diminuírem totalmente, para na grandeza da doação, descobrir-Te como o mais precioso tesouro.

E no altar secreto do meu coração rendido de amores, descubro, enfim, que não fui eu que te buscava, era Tu que dentro de mim gritava desde sempre meu verdadeiro nome.

Tagore

Mensagem psicografada na reunião mediúnica do dia 26 de fevereiro de 2026, na cidade do Salvador, Bahia, pelo médium Jorge Antônio.


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