Voos de liberdade - Alfredo Dantas (1032)
Como explicar à lagarta que se arrasta pelo chão o que seja voar como uma borboleta, antes mesmo que ela rompa a crisálida?
Da mesma forma, como o homem entenderá o que seja a iluminação, ainda defeituoso e moralmente imperfeito?
Falar sobre algo por meio de leituras ou imaginação jamais poderá se comparar à experiência. Vivenciar o processo é deveras diferente de possuir interpretações, de ouvir falar ou mesmo de ter uma pálida noção do que seja aquilo, sem realmente vivenciá-lo.
Sendo assim, o homem comum, estagiário da carne, não pode dimensionar o que seja o espírito liberto da matéria, o ser evoluído que já não necessita mais do mergulho na carne, que já depurou o espírito passando pela forja das transformações, identificando em si a luz.
Genuinamente, a luz já existe no ser; contudo, há imperfeições que a obstaculizam, impedindo que ela se manifeste. No curso das inumeráveis encarnações, à conta de milhões de experiências, o espírito vai aprendendo a limpar as sujidades que impossibilitam o seu brilho.
Gangas seculares que, como nódoas, agregam cicatrizes, barrando a essência. Egoísmo, vaidades, busca por poder, orgulho e inveja, disputas do ego, prazeres inomináveis das paixões animalescas, o amor que adoeceu transmudado em ódio, culpas remissivas, tirania, lascívia, essas tantas e outras anomalias que sufocam a gema ainda bruta, antes da lapidação do diamante crístico depositado no âmago do ser, aguardando a retirada dessas impurezas para que o espírito traduza a sua condição moral elevada.
O que deve fazer o Eu? Tornar-se cada vez mais consciente das suas potencialidades, sem mais titubear, resvalando nos enganos ultrajantes aos quais têm feito o espírito estacionar, levando-o tanto tempo amarrado às defecções. Cabe ao ser entender a sua estrutura psíquica, tornando-se consciente da sua jornada, vencendo os testes que a carne lhe aplica, testemunhando ao Universo que já se tornou consciente do seu amplo desiderato como espírito iluminado.
Chega, então, o tempo do casulo, símbolo das provas, dos recolhimentos da alma e das crises que convidam ao despertar da consciência. Exteriormente pode parecer estagnação ou sofrimento sem sentido, mas, no íntimo, operam-se profundas renovações. É nesse silêncio que o espírito revê seus caminhos, aprende o valor do perdão, da humildade e do amor ao próximo, despojando-se pouco a pouco das imperfeições que o prendiam ao solo das paixões inferiores. Nada se perde nesse processo; cada lágrima sincera converte-se em claridade futura, e cada esforço no bem transforma-se em asas invisíveis que começam a se formar.
Homem, agarra-te ainda aos fragmentos daquilo que julga ser a sua realidade, projeção da mente prisioneira às crenças e aos sistemas envelhecidos do mundo. És tu o condutor de novos panoramas, ampliando o entendimento além da matéria, tendo o sexto sentido, trazendo noções perceptíveis das manifestações orientadas pela consciência. Não te limites somente às manifestações reconhecidas da matéria.
Por isso uns dão saltos e outros vão se arrastando, agarrados as formalidades da carne.
O conhecimento amplo se expressará pelo Universo em ondas que aguardam sintonia. Os sábios e gênios da humanidade foram exatamente aqueles que romperam as fronteiras do normal e buscaram as frequências otimizadas e purificadas, dinamizadas pelos pensamentos construtivos e superiores do bem. É esse psiquismo, além das limitações da carne, que tem que ser acreditado e movimentado por aqueles que querem desvendar os mistérios da vida.
Jesus Cristo asseverou: “sois deuses!”. Jesus não diria algo dessa envergadura se não fosse possível ao homem alcançar esse estado depurativo. Todavia, é necessária a consciência da autonomia e da liderança do Espírito sobre a carne, rompendo as limitações e alcançando a iluminação.
Quando, enfim, a lagarta romperá o invólucro, não apenas como uma mudança de forma, mas de visão. O espírito que ascende moralmente passa a perceber a vida sob horizontes mais amplos e leves, já não vivendo como vivia. A leveza que nele se manifesta não é uma fuga da realidade, e sim a libertação interior, conquistada pelo trabalho contínuo em si mesmo.
E, prosseguindo nesse voo, ele alcança gradualmente a condição dos espíritos de luz, nos quais o amor se torna lei viva, a sabedoria se faz natural e a união com Deus deixa de ser uma esperança distante para transformar-se em experiência consciente.
Fatalmente, por mais estranhas que pareçam essas palavras, todos, no calendário do tempo e do espaço, vão atingir a iluminação. E, tal como a lagarta, na transmutação de si, reconhecerão a leveza das asas nos voos libertários do Espírito. Assim, a evolução não será um salto brusco, mas a delicada metamorfose da alma, conduzida pela misericórdia divina e pelo esforço perseverante de cada um rumo à sua própria perfeição.
Alfredo Dantas
Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 12 de fevereiro de 2026, na cidade do Salvador, Bahia, pelo médium Jorge Antônio

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