Vou ao Teu encontro - Tagore (957)

Estranhas que sempre falo dEle?


Sentencias que me demoro demasiado no mesmo tema.
Mas, quanto mais dEle falo, mais tenho a dizer.

Não percebes que é Ele o responsável por tudo?
Ele é tudo, o tudo Ele é.

Foste mineral e vivestes na imobilidade da rocha.
Foste vegetal e vivestes no silêncio da planta.
Foste animal e vivestes pelo instinto.
E agora és homem, Tua consciência te fala dEle e não queres ouvir?

Não sejas tão tolo.

Te incomodas tanto que Ele por mim seja constantemente reverenciado?
Pois te digo: Se me calo, falarão os inanimados, pois Ele é a totalidade do conjunto e a natureza, repetidas vezes, grita bem alto o nome dEle.

Mesmo que as vozes humanas silenciem, o próprio mundo é manifesto constante da presença divina dEle.

E mais, digo-te em segredo: quando sobre Ele falo, é do Amor que falo, e o Amor não se repete, é sempre novo, como novo é cada sopro de vento.

Nos pomares da existência, nos jardins da vida, há flores semelhantes que exalam o mesmo perfume, sem serem iguais.

Dissertar sobre Ele é falar do essencial. Do inevitável. Do impreterível.
És tolo de não entender que Ele se situa em ti, e tu sem Ele não serias.

Eu, nEle me preencho, por Ele sou preenchido.
Tanto que já não sou um, mas Ele mesmo que mora em mim.

Sou fogo vivo, mas serei brasa apagada sem o combustível que dEle emana.
Sou óleo novo, na lamparina que acende a noite escura, buscando encontrá-lo.
Sou corda nova que plangia músicas, cantando hinos de louvor a Ele.

Pronto, deixo tudo para trás e parto em busca dEle.
Afianço que sem Ele nada sou e pereço.

Pois o dia é sombrio sem a Tua presença.
O sol se esconde entre nuvens cinzas sem o Teu clarear.
Sou donzela triste que chora a falta do Amado.
A primavera mais florida se esvai sem Teu sorriso.

Onde andas, meu Amo, que não me visitas mais?
Deixa-me ir Te encontrar nesses horizontes infinitos onde habitas.
Permitas que meus olhos possam antever os Teus.
E que possa mirar a radiância do Teu rosto níveo.

Dobrar-me-ei de joelhos e, prostrado ao solo, beijar-Te-ei os pés engalanados de Glórias, ungindo a Tua fronte com o azeite dos meus versos.

Sou apenas pequena fresta, por onde as rajadas de Tua luz transpassam.
Permite, Amado, conheçamos a Tua ciência, penetrando nos mistérios da Tua inteireza.

Não fosse o brilho diamantino da Tua humildade, não teria essa joia no meu coração.
Morro de amores por Ti!

Não fosse grande a Tua realeza e majestade, não seria eu esse valoroso súdito, seguidor fiel.

Acendestes esse archote inapagável nas mentes aflitas e exterminastes as angústias, promovendo a esperança da fé.

Já vou ao Teu encontro.
Minha alma vai à frente, corre embalada, pois os corpos que tive foram lentos.

Ilusões não podem sustar o Teu éter que exsuda de mim e exalo em preenchimento total.
Meu vaso é preenchido e me dissolvo inteiro em Ti, sou todo Tua essência, que despetalando meus sonhos, me entrego aos Teus.

Me reconheço hóspede perene da Tua Casa.
E quando me leem, respiram também Teu hálito, pois me misturo à Tua química e Teus tesouros invadem meus poemas.

É tarde! É tarde!
Vou já ao Teu encontro.

Ventos súbitos não me deterão.
Tempestades não me impedirão.
Cada um dos meus passos, resolutos, dirige-se ao Amado.

Feneceria se Te perdesse de mim ou me afastasse de Ti.
E suspiro mil vezes repetidas de amores por Ti.

No Teu travesseiro, recosto a minha cabeça e sou recém-nascido no Teu berço de afetos.
E que eu já não seja um, mas Tu mesmo revelado em mim.

Assim, me deixas ter contigo, nesse amor inextinguível e inalterável, que sinto e me debulha.

Quero viver na ascendência da Tua Paz.
Te encontrar nas esquinas claras do Amor que só Tu sabes multiplicar, nesses que, assim como eu, Te seguem à Eternidade.

Tagore


Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 03 de fevereiro de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Concórdia e União - Batuíra (1023)

Bailar contigo - Poeta amigo (897)

​A corrida material - Simão (1044)