Mônadas espirituais - Simão (921)*

        Debrucei-me longamente estudando acerca do Teu mandato de Amor e entendi que todos os escritos são pobres para traduzir-Te a essência da bondade indizível.

    Nesses campos vastos da existência, entre os amanheceres e o anoitecer dos séculos, Tua voz ressoa convidando-nos à harmonia perdida.

    Nas severas teimosias da nossa agitação, somos como o rio que insiste em correr contra a correnteza, perdendo-se nos afluentes da presunção.

    Como a flor que se abre ao tépido beijo do sol da manhã, ansiamos pelo calor das Tuas palavras, abrindo as comportas cerradas do nosso coração amarfanhado pelos erros.

    Vestidos de orgulho, tropeçamos, topando nos cascalhos da arrogância, no desiderato da ignorância que nos fascina. Em vez de ouvirmos a plácida voz da Tua serenidade, escolhemos escutar o próprio íntimo iludido pelas fantasias tolas, nos mirrados presentes desses prazeres insossos da Terra.

    Deste-nos os raios produtivos da consciência para desvendarmos os mistérios do mundo, devassando paulatinamente o invisível pelos sentidos aflorados, mas embotados que somos, nos deixamos envergar em conhecimentos vãos, em inteligência estéril e orgulhosa, condicionada as aparências e esquecemos da simplicidade que retém a verdadeira sabedoria da vida.

    E essas asas da imaginação, que nos fazem ter pés alados e pela mente vamos a qualquer lugar e somos co-criadores Teus, mas podamos essas ferramentas e estúpidos queremos pertencer ao solo, agarrados que somos a pequenez da Terra.

    Ao nosso redor tudo exprime a Tua grandeza, desde as cores maviosas e em movimento constante da natureza, que deflagram a Tua estesia. O brilho cristalino que fulge na gota do orvalho que repousa na folha, grita as riquezas da Tua obra. O pequenino grão de areia, como as vastas montanhas, cantam as Tuas diversidades. O vento sibilante que sussurra segredos invioláveis sobre Tuas esculturas de amor e mesmo essas ondas bravas que batem forte nos rochedos, testemunham a fatalidade do movimento infinito da vida que nos legastes, até o dessedentar dos entendimentos de que somos células Tuas e que afastados dos Teus braços, estaremos à deriva nesses oceanos das dúvidas.

    Até que possamos reconhecer que Tuas leis não são muros, mas pontes à felicidade, abandonemos a rutilante sanha de caminharmos a esmo, como cegos tateando o nada, nas procuras febris de um significado exterior, quando a luz pisca incessante no íntimo, mas as sombras que agitamos não nos permite cintilá-la, refletindo essas claridades.

    Todo o Universo pulsa ao teu comando, se retrai e se dilata a Tua ordem, e nós, aparvalhados nos desmandos das ilusões, queremos explicar o ainda inexplicável sobre Teus poderes magnânimos.

    Até que consigamos conquistar o país da alma, reconhecendo na carne a bendita escola dos primeiros passos espirituais, mergulhando na sentimentalidade dos sentidos, alforriados pelo genuíno Amor, desvestidos do orgulho e afiançados pela Fraternidade, teremos de regressar muitas vezes as camadas densas da Terra, nesses sonhos angelicais, até nos tornemos realmente espíritas na profundidade das ações, compreendendo que tudo exprime Teu desejo, mesmo ainda como rascunhos, dia virá, que nos tornaremos obras-primas em perfeita conexão com o Artista inigualável que Tu és.

    Ó, Deus, por enquanto nos testa, agita-nos, prova-nos e imprime em nós o teor pleno da Tua sabedoria, indicando para qual finalidade existimos.

    Toda glória e louvor ao Teu poder de nos congregar como Mônadas do teu Amor.

Simão

Mensagem psicografada na sessão mediúnica de segunda-feira, do dia 23 de setembro de 2024, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

 

 

 

 

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