Teu Reino de Amor - Tagore (968)
Chegaste vindo de outro mundo, das estrelas distantes, dos mundos perfeitos e iluminados, e plantaste o Amor no solo sáfaro desta Terra.
Abandonaste a casa de plenitudes e vieste em missão restauradora para este ambiente árido e carente de luz, por amor, por amor…
Enquanto comprávamos no mercado das ilusões, procurando, nas prateleiras dos vícios, as fantasias, Tu trouxeste a verdade.
Queríamos tão somente os devaneios. Nossas vontades melindrosas desdobravam-se nas paixões tolas, que nos fascinavam a sanha dos desejos.
Através do Teu amor, o vinagre ácido dos ódios tornou-se doce vinho.
Através do Teu amor, as dúvidas se fizeram certezas da razão.
Através do Teu amor, o profano transformou-se em sagrada tentativa.
Através do Teu amor, as insanidades se alinharam em equilíbrio redentor.
Quando chegou Tua luz, as sombras bateram em retirada, e raiou o dia da liberdade ensolarada.
Pois só Tu, Amado, podes amparar os caídos, renovar os vencidos e transmutar a tristeza em alacridade duradoura.
Mil vezes esvaziou-se o vaso do meu coração, sedado nas angústias deste país de dores; todavia, Tua água-viva o preencheu e fez transbordar em mim.
Toca a flauta do meu ser com Tua melodia divina e proveitosa.
Vem! Dessedenta a aridez do peito e rega nossas vontades de viver.
Babaji! Fizeste brotar flores no deserto árido das almas. E como crianças à procura de colo, ansiamos pelo Teu afago.
Perdidos estamos há muito tempo, andando em círculos, nos pergaminhos antigos dessa epopeia humana de milênios.
Deslembramos das Tuas palavras, faróis acesos a clarear as avenidas da existência, e nos deixamos levar pelos sonhos impuros que nos hipnotizam. Loucos, nos largamos,
embalados pelos braços mórbidos dessas ilusões mundanas, enquanto, Tu, paciente, nos aguarda o despertar.
Néscios, tropeçamos repetidas vezes e negamos Teu convite ao banquete da placidez.
Oh, meu Amo! Perdoa esses nossos mergulhos no nada, em busca de coisa alguma!
Vestidos de vaidade, ornados dessas medalhas da presunção, que pensávamos ser o sucesso, no engodo das lamentações futuras.
Ah, Radioso! Permite que possamos retirar essa venda grossa dos olhos e aquecer o coração enregelado nesses invernos da desistência, percebendo que a hora é essa para dar cabresto e direção ao corcel selvagem, que, embrutecido, foge das Tuas pradarias para galopar sem direção nos terrenos asselvajados e pedregosos das futilidades.
E nessas árias que desdobram a musicalidade do Teu Amor, que entendamos o verbo redentor, salvando-nos desse naufrágio eminente, e testemunhemos que somos servos e adoradores do Teu Reino de Luz.
Tagore
Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 17 de março de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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