Redenção - Miguel Vives Y Vives - (1062)


Já experimentaste o frio soturno na escuridão gélida dos ambientes da dor, onde, solitário, derramaste as lágrimas ultrajantes do teu remorso.

Andaste pelas vielas do crime e sujaste tua alma nos resvaladouros da maldade.

Foste comandado pelas ilusões do mundo e embriagaste-te com o fel amargo da desdita.

Caíste nos lodaçais e te fustigaste nos materiais putrefatos dos enganos mais cruéis.

Louco, resvalaste nos despenhadeiros da hipocrisia e envergaste as máscaras soezes da falsidade.

Querendo reter tudo nas mãos, confundiste a posse dos bens com o direito de tiranizar e de sobrepor-te aos semelhantes.

Experimentaste a dor latente em várias matizes e calcinaste a existência, escravo das futilidades.

Colocaste sobre o cenho o chapéu da ignorância e, dono de todas as verdades, atacaste outros que pensavam de modo diverso de ti.

Galopaste pelos campos da guerra e banhaste-te com o sangue de inocentes.

Homem e mulher, usaste as pessoas, seviciando-as sob os impulsos desordenados do sexo.

E, de tanto experimentares o látego do sofrimento, destituído de todas as esperanças, exaurido das forças e mil vezes arrependido, lembraste de um nome sacrossanto e gritaste, na imensidão vazia da dor, perdido no vago da escuridão:

— “Jesus, Jesus, socorre-me!”

Mudando o cenário cinzento do pavor, foste socorrido sem tardança.

Recuperado e tratado das feridas, ajoelhaste-te ao chão e imploraste por nova chance na carne.

Recrudesceste, voltando a um novo corpo. Chegando aos cenários já conhecidos da Terra, embriagaste-te novamente, tragando ilusões.

E, bêbado de sordidezas, caíste novamente...

E, chance após chance, retornaste ao vaso do corpo, esquecido das tuas promessas de remissão.

Até que, tal qual Saulo, redivivo em Paulo de Tarso, perguntaste:

— “Senhor, que queres de mim?”.

E então recebeste a oportunidade inigualável de reformar os embriões endurecidos de tantas jornadas fracassadas.

E, apoiado nos redutos de paz, tens a chance, hoje, de professar a verdade, atender aos aflitos, consolar e esclarecer; e nova luz se faz ante a tua consciência nublada.

Os adversários e parceiros do ontem continuam a procurar-te: uns, para exercer vingança; outros, buscando analogia nos desregramentos. Contudo, intentas manter-te em equilíbrio na Tarefa do bem.

Se usas o escudo da vigilância contra o orgulho e as vaidades que te assolam, provocando reviravoltas e espreitando as tuas quedas, fortaleces mais os teus
propósitos, reconhecendo o que mais importa, para, desta vez, saíres vitorioso das infrenes lutas e possas alcançar o píncaro da serenidade, entregando essa vida ao serviço com Jesus.

E verás, alado, teu espírito volitar aos altiplanos da consciência, desembaraçado das culpas, fortalecido pelo bem e livre dos seus enganos.


Miguel Vives y Vives

Mensagem psicografada no dia 03 de setembro 
de 2026, na cidade do Salvador, Bahia, pelo médium Jorge Antônio.

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