Revolução interna - Alfredo Dantas (1061)


O ser humano entende as coisas que lhe chegam baseado nas suas crenças, nos seus pontos de vistas e concepções.

As Orientações Espirituais têm alcançado a psique humana há centenas de anos, intentando auxiliar o ser a conhecer melhor a si.

Porém, o homem faz o caminho inverso, traz aquilo que lhe chega ao universo exterior, confabulando com essas missivas em correlato ao que já traz dentro de si como verdades. Em vez de levar ao íntimo, primeiramente, desvelando a si tudo aquilo que ainda quer ser camuflado, ele ajusta aquilo que recebe dentro das próprias validações dos seus erros.

Quando deveria se questionar, “O que esse texto revela em mim que eu me recuso a reconhecer?”.

Outra característica interessante é, o homem, quando pensa em evoluir, pensa em buscar fora aquilo que lhe falta, as qualidades que ainda não consegue revelar na sua personalidade. Contudo, muitas delas se acham dentro do ser, só que obstaculizadas por hábitos malsãos, por automatismos e padrões repetitivos que impedem que certas virtudes possam se manifestar.

É como um vaso, com pedras preciosas no seu fundo, porém, cheio de quinquilharias e sujidades depositadas por cima, que impedem que tais preciosidades sejam alcançadas.

O vaso do coração já tem riquezas inimagináveis, inerentes ao próprio espírito nas suas caminhadas evolutivas, mas cerceadas, obstruídas, represadas e impossibilitadas de despertarem, devido aos vícios, às chagas e hábitos insalubres.

Necessário, então, retirar essas quinquilharias todas para que aquilo que já se encontra no imo possa brilhar no ser.

Essas Orientações Espirituais, estão desnudando aos interessados, aquilo mesmo que anda impedindo o crescimento e a liberdade dessas virtudes.

No entanto, de nada adianta ter conhecimento, entender esses textos através da inteligência, no entanto, não exercitar em si o que as orientações recomendam. Por isso, talvez a dificuldade maior não esteja em compreender intelectualmente o que está sendo ensinado. Está em permitir que o ensinamento atravesse nossas defesas.

Há aqueles que têm anos lendo o Evangelho, as mensagens espirituais, contudo, sem se modificarem, sem trabalharem suas más inclinações, esses defeitos marcantes do comportamento. Conhecem bastante as letras, sabem até versículos inteiros, mas não trazem todas essas maravilhas para devassar o íntimo, gerando a tão esperada reforma.

E assim que, tantas vezes, o homem não modifica a própria vida para se aproximar do ensinamento. Ele modifica o ensinamento para que este caiba na vida que já escolheu viver.

Uma orientação não é apenas para ser entendida, ela só fará mudanças com exercícios. Porque a palavra espiritual não foi dada apenas para ser compreendida. Foi dada para nos desvelar. Ela vem mostrar no que estamos errando.

E talvez seja justamente isso que mais assuste o ser humano: uma orientação verdadeira não vem somente dizer o que ele deve fazer. Ela vem mostrar quem ele ainda é e reluta a mudar.

É como um músico que precisa e quer melhorar como toca o seu instrumento. O professor lhe diz, corrija a sua postura. Não basta apenas entender essa orientação, ele tem que colocá-la em prática, na sua realidade, na nova postura como tocar o instrumento. O professor lhe diz, você está fora do ritmo. Não adianta apenas tentar esconder isso. Mesmo entendendo a orientação, o ritmo errado vai continuar comprometido até que o músico comece a exercitar a nova cadência, melhorando e corrigindo o seu ritmo. Ou seja, ele só tocará melhor o instrumento se reconhecer suas falhas, treinando novas maneiras de progredir com a música.

Assim somos nós. Precisamos usar essas orientações para ‘tocar’ a vida de forma diferente, nos escutando, atenciosos para quando saírmos do ritmo, errarmos uma nota, fomos dissonantes com a melodia da existência.

As Orientações assim nos prestam favores para que a nossa música seja mais afinada e correta.

Todos nós temos imperfeições para corrigir. Até nos encontrarmos com a superior projeção da nossa mente, estaremos nesse estágio involuído que necessitamos ser honestos no reconhecimento das nossas defecções.

Por quê? Só podemos consertar aquilo que está precisando de ajustes. O homem não leva uma máquina em perfeito funcionamento para o mecânico. Só se conserta aquilo que tem defeitos.

Logo, se escondemos dos outros e de nós mesmos nossas imperfeições, como haveremos de trabalhá-las?

Se não identificarmos o orgulho que temos, como deixaremos a humildade tomar forma?

Se o egoísmo não é algo que nos preocupa, como vamos corrigir essa chaga para que o altruísmo tome a dianteira?

Quando o homem começar a compreender isso, deixará de perguntar apenas: “Como devo interpretar esse texto?”. E começará a perguntar: “O que esse texto está revelando em mim que eu ainda não quis enxergar?”.

Dessa forma, nossas más qualidades perduram porque temos camuflado-as, escondido-as, deixando-as no subconsciente, sem darmos conhecimento a esses hábitos que têm caracterizado nosso proceder, por total incúria em devassar nossas sombras, trazendo-as à superfície dos nossos exercícios.

Não adianta termos conhecimento de tantas belezas espirituais e continuarmos quando, confrontados no orgulho, despertando nossas raivas, ressentimentos, impaciências e instabilidades inúmeras do nosso psiquismo, que são validados por nossos automatismos, não por nossa consciência desperta.

É hora de reconhecermos tudo aquilo que já não cabe mais e deve ser transmudado pela luz desse conhecimento, que já nos faz capaz de nos desnudarmos em humildade, reconhecendo o momento ótimo de uma revolução interna.

Alfredo Dantas

Mensagem psicografada no dia 27 de agosto de 2026, na cidade do Salvador, Bahia, pelo médium Jorge Antônio.

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