Egoísmo espiritual e Vaidade moral - Alfredo Dantas (1048)



O ser humano tem milhares de anos. Como espírito, já encarnou e
desencarnou variadas vezes. E, mesmo assim, continua trazendo consigo os mesmos defeitos de remotas eras. É bem verdade que alguns já foram aprimorados; todavia, ainda não está liberto dessas mazelas milenares.

Para o ser, é deveras difícil livrar-se das suas imperfeições, já que elas tornaram-se hábitos enraizados por séculos, repetidos e reafirmados, tornando-se um automatismo.


Por isso, o ser é prisioneiro dos seus defeitos, já que não se percebe neles e com eles. Não consegue notar em si mesmo os procedimentos automáticos que se repetem, sem uma justa anotação íntima desses deslizes.

Existe, no ser humano, muito apego à personalidade, e muitos defeitos dão a sensação de prazer e proteção emocional, por incrível que pareça. Assim, o ser não mudará se continuar vivendo no seu automático.

A maioria dos mestres das religiões e correntes filosóficas aponta o egoísmo como a raiz mais profunda de todos os males. E isso é a mais pura verdade. No entanto, não esse egoísmo material ao qual muitos pensam estar se referindo, mas sim o egoísmo espiritual, que é quando a criatura se compreende como o centro das afirmações. Suas emoções e sentimentos importam mais do que os dos outros, mostrando pouca empatia por tudo aquilo e por aqueles que fogem aos círculos dos seus interesses, repetindo posturas engessadas de personalismo.

É o egoísmo do estado íntimo, da pessoa não se perceber quando se coloca acima do amor, da verdade da consciência e do bem em desenvolvimento e favorecimento do próximo.

O egoísmo espiritual promove, no ser, diversos desdobramentos, entre eles a vaidade. Também aqui, não aquela vaidade em que a pessoa se enamora de si mesma, da sua aparência. Não! Falamos aqui da vaidade moral.

É uma vaidade mais escondida e perigosa, porque se disfarça de bondade, espiritualidade, inteligência ou “evolução”. A vaidade moral é quando a pessoa se acha moralmente superior aos outros e sente necessidade de demonstrar isso exaustivamente.

Ela existe de forma silenciosa e imperceptível naqueles que não fazem um mergulho profundo ao interior, no autoconhecimento. A vaidade moral ativa o culto da própria imagem, quando a pessoa constrói uma persona e a alimenta no dia a dia. Vaidade, nesse quesito, é quando a imagem que a pessoa constrói de si mesma é mais importante que a sua própria essência.

Enquanto o egoísmo se afigura assentado como uma chaga na criatura, ele alimenta a vaidade de uma forma bem específica. Os envolvidos nessa patologia desejam a afirmação do eu, precisam da validação das outras pessoas e vivem sustentados pela impressão que desejam causar nos outros, através da sustentação de uma personagem criada pelo ego.

A vaidade moral é muito perigosa, porque engana bastante o espírito, que se crê melhor do que realmente é. Uma pessoa pode parecer iluminada externamente

pela persona que criou, mas ainda estar profundamente presa ao egoísmo, à vaidade e à necessidade de reconhecimento entre os pares. Descreveríamos, assim, a vaidade moral como uma prisão da autoimagem.

A vaidade moral alimenta aqueles que dela dependem, por isso é tão difícil libertarem-se dela, já que suas manifestações causam um vício repetitivo, pois trazem prazer e uma massagem ao ego.

O vaidoso moral julga até pequenos feitos como algo importantíssimo. Como vive da aprovação dos outros, constrói uma persona sempre superior, que não pode aparentar fraqueza ou estar suscetível a erros. Sente prazer em despertar inveja. Mede valor por status, riquezas, poder ou atenção. Transforma seus talentos em instrumentos de exaltação pessoal.

Tudo o que vem dessa verve vaidosa deve ser ressaltado, notificado, comentado e enaltecido. Isso faz o vazio ser preenchido pela sensação iminente de uma importância atribuída. A estima própria dessas pessoas é uma forma de revalidar as deformações negativadas na infância, transformando-as em adultos inseguros, competitivos e imitadores, que ainda não conquistaram ou descobriram a autenticidade.

E viver nesse contexto, performando a própria aceitação, necessitando da validação e aprovação dos outros, cansa bastante. O vaidoso moral vive ansioso, angustiado, entre altos e baixos no seu comportamento, o que indica uma personalidade volátil, que jamais reconhece os próprios erros para não parecer frágil, intentando mostrar perfeccionismo em tudo que faz, amputado, geralmente, pelo próprio não compromisso com aquilo que realiza, quando isso não está situado no seu radar de aparecer através dos feitos.

O orgulho é a valorização excessiva do eu. O egoísmo, a centralização do eu. A vaidade seria a combinação dessas duas chagas atuando no íntimo, de maneira que a pessoa não consiga se notar de forma realista, trabalhando a simplicidade do seu comportamento, demonstrando leveza e naturalidade nas ações, algo não encontrado nos vaidosos morais.

Ela, a vaidade moral, pode coexistir com a inteligência, com a cultura, com a religiosidade e até com a caridade. Porém, passa a sustentar uma imagem irreal do ser. E isso gera comparações constantes e afastamento da simplicidade interior.

Antes de agir, de falar, eles se preparam, planejando suas ações com base naquilo que desejam validar para obter retorno dos outros, pois se alimentam das opiniões alheias. Quando resvalam, procuram culpados, preenchendo, de alguma forma, essa lacuna de engano que não podem sustentar na imagem idealizada do ego.

Certos defeitos, tais como o egoísmo espiritual e a vaidade moral, acompanham a criatura há milênios e são defecções da personalidade muito difíceis de serem vencidas, já que o ser humano não tende a se observar e, como dissemos, vive no automatismo, perpetrando o mesmo comportamento egoísta e vaidoso, sem dar-se conta, mantendo a máscara do eu, obstaculizando sua evolução e o entendimento sobre si mesmo.

A Espiritualidade repete insistentemente as lições, porque o ser humano escuta, lê, vê, mas não se percebe naquilo mesmo que lhe chega. Então, as repetições não são insistências vazias, mas uma pedagogia e profilaxia para a alma. A maioria das pessoas vai precisar de muitas repetições de experiências e das suas consequências para se modificar.

Há dois mil e vinte e seis anos, as lições de Jesus Cristo continuam a ser repetidas, exatamente porque ainda não foram assimiladas pelo homem.

Assim como, gota a gota, através dos séculos, a água fura a rocha, os ensinamentos têm de furar os corações humanos, muitas vezes, até se tornarem consciência viva, trazendo a real vontade de mudança, manifesta no autoconhecimento do ser, que realmente descobre suas máscaras seculares e onde deve trabalhar em si mesmo.

 Alfredo Dantas


Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 28 de maio de 2026, na cidade do Salvador, Bahia, pelo médium Jorge Antônio





Tenente Alfredo Dantas, educador paraibano

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