Brasil valoroso - Batuíra (1052)


Nas nossas andanças, como espíritos em desenvolvimento, larga é a escola de vidas pelas quais passamos no intuito de aprendermos o raciocínio lógico, a moralidade e a verdade, estacionando-os no íntimo das nossas maiores aspirações.

Essas matas e selvas dessa terra abençoada dos rincões brasileiros, há muito, eram assistidas pelos Guias, depositando nelas as esperanças na construção do reduto de redenção para milhões de espíritos.

Das raças originárias, recebemos desses silvícolas a paixão e a ligação com a natureza. Dos europeus, herdamos a cultura e o conhecimento; e das tribos africanas que aportaram aqui escravizadas, a resistência e a força do trabalho braçal. Nessa miscigenação, formou-se a marca de um povo alegre, intrépido e comunicativo. Essas uniões não foram batizadas pela paz, mas por conflitos inumeráveis, muitas lágrimas, suor e dores, registrados nas páginas invisíveis, para além dos livros da história.

Toda nação passa por fases até sua maturidade. Desde a infância, a juventude, até o amadurecimento das suas propostas de progresso iluminativo. E esse Brasil, de largos horizontes, ainda se encontra na juventude das ideias. Por isso, testemunhamos nela tantos equívocos, ansiedades, barulhos. Agitações próprias desses dias jovens, ainda sem resoluções amadurecidas pela experiência moral.

O Brasil ainda caminha pelas estradas da mocidade espiritual. Por isso experimenta essas inquietações todas, os impulsos e as contradições próprias daqueles que ainda estão aprendendo a conhecer a si mesmos.

De um lado, a corrupção que assalta as consciências, a violência que amedronta as famílias, e o futuro incerto que gera angústias e ansiedades.

E algumas gargantas mais expressivas gritam negações, questionando-nos como pode se traduzir esse Brasil de tantas injustiças e corrompimento numa Pátria do Evangelho? Mas, essa nação cresceu carregando virtudes admiráveis e imperfeições profundas, como ocorre com todas as coletividades humanas. Não vos espanteis diante das crises do presente.

É que os afoitos já querem arrancar os frutos antes do crescimento do tronco. Não sabem eles que a Pátria do Evangelho não se traduzirá pelo sectarismo religioso, pelos discursos teológicos ou pela maior população de diferentes religiões em seu solo, todas livres para se expressarem. Não espereis, assim, encontrar a Pátria do Evangelho nas instituições ou nos discursos. Não! Procurai-a nos corações que servem. Esse Brasil altaneiro será conhecido por seu apreço aos milhões de espíritos falidos que, em seu solo, encontrarão caminhos de redenção e remissão para os seus erros.

É a nação dos pais que corajosamente recebem espíritos com deficiência mental e física. Das mães valorosas que se sacrificam e doam suas vidas pelos filhos. Desses trabalhadores honestos que, diante de tantas desigualdades, tocam a vida no suor das suas tarefas simples e importantíssimas à sociedade. Desses indigentes que vivem a míngua de tudo e ainda expressam no rosto o sorriso da esperança. Dessa geração vindoura que serão os novos estadistas, modificando a política insuficiente e depravada dos dias atuais. Desses voluntários anônimos, homens e mulheres que, silenciosamente, escolheram o bem em meio às tantas dificuldades.

Não! Esse solo não será conhecido pelas conquistas materiais, nem pelos avanços tecnológicos, mas pelos exemplos de entrega, pelos testemunhos desses médiuns que, de diversas formas, contarão que a vida continua, atestando por faculdades moralizadas, a evolução consciente da sociedade no intercambio espiritual. Que, embora as tantas distrações do solo, abraçarão as conquistas espirituais, favorecendo os novos hálitos no ambiente da fraternidade.

Assim, sua maior riqueza não estará no solo, nem nos recursos minerais, mas na capacidade de acolher, unir e reconstruir vidas, incitando nesse povo os milhões de voluntários, que Brasil afora, desempenham o papel de servidores humilíssimos do amor e da fraternidade.

São essas vozes heróicas que reformarão as tradições envilecidas, não aceitando mais o “jeitinho brasileiro” do passado servil. São essas consciências jovens que não seguirão mais os fanatismos religiosos, afastados da fé verdadeira, cheios de alegorias e crenças que essas mentes jovens derrubarão com a razão.

É o Brasil que, no condão do amor, abraçará o êxodo de outros povos, que assomarão a sociedade brasileira, trazendo seus avanços sociais e culturais impulsionando o desenvolvimento dessa nação jovem.

É o país em que o Evangelho não ficará restrito à liturgia, mas ganhará as ruas, as praças e as instituições, limpando as sujidades do passado pelas expressões da concórdia desse povo. E essa polaridade ideológica, cheia de deturpações, que será superada por meio das habilidades desses vultos luminosos, que reencarnarão neste solo, impulsionando novas diretrizes para além das fronteiras desta terra de Veracruz, reconhecendo-a, sim, como o coração do mundo.

Não o coração ególatra das grandes nações, preocupadíssimas com os ganhos do capital e a força da sua moeda. Não! O Brasil enxertará nessas nações, onde o ateísmo e o materialismo fazem definhar as esperanças, catapultando os seres ao desespero e ao suicídio, novos valores espirituais, trazendo-lhes nova fé, pelas comprovações espirituais que a nação tupiniquim expandirá.

E onde haja um brasileiro de fé, haverá testemunhos dessas verdades.

Lembrai-vos de que a Providência Divina não abandona povo algum. Acima das inquietações do presente, permanece a certeza de que o bem, embora por vezes pareça tardar, jamais deixa de cumprir sua missão.

Logo, a Pátria do Evangelho não surgirá por um decreto dos céus. Nascerá lentamente, quando o Evangelho deixar de ser apenas um livro e passar a ser vida nos corações.

Aguardemos, assim, os novos dias, iluminados por uma nova consciência, quando as luzes do Cruzeiro do Sul brilharão além-fronteiras, levando aos corações maior fé.

E, até lá, Jesus Cristo sempre conosco, a nos guiar.


Batuíra

Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 25 de junho de 2026, na cidade do Salvador, Bahia, pelo médium Jorge Antônio

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