Morrer bem - Alfredo Dantas (1039)
Enquanto está vivendo na Terra, o espírito não está preocupado com a morte e o que irá lhe ocorrer no dia que tiver de deixar o corpo. Pouquíssimos refletem nisso.
A morte, no sentido espiritual, é provavelmente o momento mais significativo da experiência humana e, ao mesmo tempo, um dos menos considerados. A maioria das pessoas vive como se isso não fosse acontecer nunca, fosse algo distante ou quase improvável, quando, na verdade, essa é a única certeza absoluta da vida.
A Divina Providência já nos preparou à existência na Terra, sim, com essa certeza de que vamos partir para que nos aprontemos para esta partida.
A morte, assim, torna-se uma conselheira do homem, mas ele não está nem aí para os conselhos que ela traz. Ela está a dizer, “Olha, lembra que você vai morrer”, “Para que tanto orgulho?”, “Para que tantas posses?”, “Para que tanta vaidade?”.
Ninguém está preocupado de verdade em evoluir, porque, se estivesse, traçaria sua vida nesse sentido. Seus planos não seriam esses de ser bem-sucedido somente, de ter mais dinheiro, e sim, evoluir seria a meta. Essa reflexão sobre a vida e a morte e o que daqui levamos apareceria mais nos propósitos e consciência do ser humano.
A morte seria para o homem, se ele estivesse atento para ela, um espelho para sua evolução. Como a pessoa deveria viver hoje, da forma que gostaria de chegar ao fim, para adentrar a outra vida em paz e com felicidade?
Será que você está vivendo da forma que morreria bem? Por isso, a proposta é a seguinte, se você estivesse prestes a morrer amanhã, que tipo de ser humano você gostaria de ser?
O despertar espiritual começa quando você passa a viver com essa pergunta interna pontuando sua vida. Certamente, a partir dessa proposta interna, você se questionaria, “Será que estou sendo honesto comigo mesmo e com as pessoas ao meu redor?”, “Estou sendo mais humano?”, “Estou vivendo para a minha essência ou para as aparências?”, “Estou sendo realmente bom e humilde?”, “Estou realmente amando as pessoas ou me importando mais comigo?”, “Estou vivendo de forma que me orgulharia no final da vida?”, ou, “Vou ter coisas me prendendo à retaguarda, me trazendo lembranças ruins, remorsos e querendo fazer bem-feito aquilo que releguei?”. Todas essas são perguntas importantes.
O homem precisa entender que a evolução não é um fenômeno externo que ele tem de mostrar aos outros, é totalmente uma experiência interior, é construção do caráter, da bondade por todos os poros, é decisão consciente de quem você quer ser.
Na verdade, o despertar espiritual genuinamente começa quando você deixa de perguntar, “O que eu quero da vida?”, deixando de agir pelos desejos e passa a perguntar, “Quem eu quero ser quando minha vida chegar ao fim?”. E certamente todos, sem exceção, vão responder o seguinte, se estiverem alinhados realmente com a evolução: “Quero morrer mais humilde, mais verdadeiro, mais caridoso, mais paciente, mais amoroso, quero ajudar mais as pessoas e morrer com a consciência tranquila”.
Isso fatalmente começa a guiar suas escolhas diárias. As coisas superficiais perdem força no seu espírito e as essenciais se avolumam.
Eu sei que isso tudo parece meio utópico para o ser humano, mas sabe por quê? O homem está muito preso às coisas da Terra, mas, sinceramente, o que ele levará dessa Terra? Nada! A não ser as suas conquistas no campo espiritual. Já pensou melhor nisso?
Logo, homem, seja mais inteligente, para de dar tanta importância àquilo que não vai te trazer nenhum benefício na partida e foque naquilo que você vai levar consigo, pois é muito mais importante ter mais coisas a levar, do que aqui deixar.
O grande engano do ser é se acreditar bom, justo, honesto e evoluído quando realmente lhe falta muito. Sabemos que, na Terra, os espíritos todos são imperfeitos e essa imperfeição é definida em até dez níveis diferentes. O homem faz uma imagem bastante equivocada de si mesmo e se coloca num patamar além daquele real onde se encontra. Por isso, os esforços para crescer e evoluir são mínimos, pois o ser se contenta em viver dessa forma imperfeita. Ele está apaixonado pelo erro.
A maior ilusão do ser humano é como ele classifica a si mesmo. Enquanto está na carne, é o ego que lhe comanda. Ele constrói justificativas, comparações favoráveis e autoengano. A pessoa acredita mesmo que possui as qualidades que ainda não conquistou.
Acredita ser paciente, sem ser! Humilde, sem ser! Bom, sem ser! Honesto, sem ser! Não se vê egoísta, quando é! Não se percebe orgulhoso, quando é! Tudo isso lhe é sustentado por máscaras sociais e por narrativas internas falsas.
Na hora da verdade, frente a morte, não há mais máscaras, aparência social, status, bens, títulos, cargos, nem a mínima possibilidade de disfarçar quem realmente é.
Se as pessoas pudessem deixar o corpo e se ver como os Espíritos os veem, por esses parâmetros do mundo espiritual, o choque seria grande. Muitos perceberiam os defeitos que não querem ver. Vaidades, ressentimentos tolos, egoísmo em um nível muito maior do que imaginam e orgulho alto. Esse choque quebraria a autoilusão, faria o homem refletir acertadamente sobre quem ele realmente é. Seria doloroso, mas libertador.
E logo, surgiria um impulso maior e mais consciente de transformação imediata. Quando alguém percebe claramente seus erros, suas limitações, suas máscaras, seus defeitos, não perde mais tempo com justificativas e mentiras para si mesmo e começa a se trabalhar de verdade.
É como um atleta que se achava em perfeita forma para a competição e ao ver seu desempenho real como um verdadeiro fiasco, decide então treinar seriamente e mudar seus hábitos, porque quer vencer na prova.
A visão clara de si mesmo é a única forma de acelerar a evolução, ou iremos na velocidade das nossas intenções. E a intenção do homem não é evoluir, e sim, satisfazer o seu ego. Por isso, ele leva tanto tempo para acordar espiritualmente.
Isso explica porque tantos textos trazidos ao homem falam do autoconhecimento como chave da evolução. Enxergar suas limitações, defeitos, imperfeições e enganos é a única maneira possível de mudar.
É preciso reconhecer o quanto ainda somos infantis, orgulhosos, o quanto ainda buscamos reconhecimento, o quanto nos melindramos facilmente, o quanto fazemos qualquer coisa esperando um retorno, o quanto ainda necessitamos evoluir e crescer virtudes reais. Se assim nos enxergássemos, haveria mais urgência em nós, em nos melhorarmos.
Muitas pessoas acham que temos um tempo infinito. É bom lembrar que, para muitos, essa é a última oportunidade de continuar na Terra nesse momento delicado da transição planetária, quando todas as oportunidades já foram dadas e excedidas.
Talvez assim as pessoas pensassem, “Preciso amar mais, preciso perdoar mais, ser mais humilde, mais sensível, mais sincero, preciso melhorar mais e agora!”.
A reflexão sobre a morte não deveria gerar medo, ela pode gerar lucidez. Quem pensa na morte com maturidade e como quer chegar a ela, tende a viver melhor, valoriza mais o tempo com intenções significativas para o eu espiritual, cuida mais das relações, trata os outros com maior empatia, ama mais, tenta ser mais justo, menos interesseiro, menos controlador, menos egoísta, evita carregar mágoas e ressentimentos desnecessários. A vida, enfim, se torna mais essencial.
Talvez o grande ganho espiritual que estamos despertando com esse texto é manter essa consciência antes do choque inevitável com a morte.
Viver lembrando que a vida é uma oportunidade incrível de construção interior, de mudanças e melhoramentos e de mais humildade.
Assim, o momento da morte não será estranho, confuso e tão doloroso, como o é para milhões de iludidos.
Alfredo Dantas
Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 26 de março de 2026, na cidade do Salvador, Bahia, pelo médium Jorge Antônio


Comentários
Postar um comentário