​Lições do sofrer - Rhaval (1038)

Nas voragens do mundo, nos bastidores de todos os desejos, me agarrei à ilusão desses sentidos em memórias vivas.

As harpas dedilhadas com maestria valseavam acordes doces que faziam volitar o coração.

De sonhos inalcançáveis enche o homem a sua alma. E, cativo dos prazeres, vai escravo, se perdendo nas posses.

Refastela-se nos acepipes da luxúria. E os corpos nus das bailarinas hipnotizam a libido, escravizando-os ao sexo fácil.

A noite brinda aos enganos, e os corpos se entrelaçam nos desejos infrenes da carne.

Pobre homem perdido nas próprias divagações do ter.

O ouro reluz nos salões suntuosos dos palácios. As joias mais caras decoram os dorsos seminus. As belas concubinas rodopiam pelo salão, sequestrando as mentes masculinas. Os castiçais de prata acendem fazendo brilhar os dedos aureolados de rubis e diamantes.

A hipnose da fortuna faz seus muitos herdeiros, totalmente fascinados pelo vil tilintar das moedas.

Nobres na aparência, porém sepulcros cheios de vermes por dentro.

Nas suas políticas palacianas, explorando, usurpando dos vassalos que, à míngua, aprisionados das necessidades, sofrem suas tiranias aristocráticas. São como urubus sobre a carniça.

Corte de podridão, infestada de vexames, onde as futricas e maledicências grassam desimpedidas.

Pelo título pilham as propriedades alheias, usurpam viúvas, tomando para si os bens que não lhes pertence.

Mais tarde, corridas as areias na ampulheta dos séculos, os vemos em novas vidas.

Aqueles nobres, antigamente ricos, com o galardão das suas vestes garbosas, agora vivendo nos tugúrios do subúrbio, mendigando pelos dejetos que caem no lixo dos restaurantes. Epiderme cheia de sarnas, de feridas, oriundas da sujidade da alma.

Mesmo nessa realidade dos sem-teto, roupas rotas, agora descalços e sujos, evidenciam ainda, em seus espíritos o orgulho de outrora.

E sofrem, envergonhados pela miserável condição. Revoltados e malcheirosos.

E transeuntes os veem e pensam: “pobres almas!”. “Por que Deus permite tamanho sofrimento?”. “Quanta injustiça!”.

E nós daqui olhamos e vemos a aristocracia podre recebendo preciosas provas de humildade, transmudando o orgulho através das lições inolvidáveis do sofrer.

Rhaval

Mensagem psicografada na reunião mediúnica do dia 19 de março de 2026, na cidade do Salvador, Bahia, pelo médium Jorge Antônio.


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