O bem não faz barulho - Natividade (1013)



O nosso Mestre Jesus enfrentou todo tipo de zombarias, escárnios, gracejos, perseguições, calúnias, difamações e negações.

Principalmente na sua pátria, entre sua parentela e amigos de Nazaré. O bem, quando feito de forma pura, choca as pessoas nesse mundo movido pelos interesses. Ele deflagra a luz, e as sombras sentem-se incomodadas.

A luz revela em muitos seus egoísmos e suas limitações em praticar esse bem. Logo, eles se revoltam e a negam, tecendo contra aqueles que manifestam a luz de alguma forma, críticas e todo tipo de julgamentos.

O bem verdadeiro tem o poder de revelar a sombra alheia. Quando alguém age com pureza, dedicação e desprendimento, sem segundas intenções, sua conduta serve como um espelho, e nem todos suportam ver refletidos seus próprios egoísmos, invejas, desejos de poder ou mesmo omissões. Assim, em vez de se inspirarem, como deveriam, muitos preferem duvidar, criticar ou diminuir aquele que serve fazendo o bem.

O bem não faz barulho, e o barulho não faz o bem!

O ser humano ainda trafega nas zonas do interesse, cheio de ciúmes e invejas. E tudo que evidencie, de qualquer maneira a luz, haverá de incomodar bastante esses que necessitam de destaque, que precisam manifestar seus dotes de inteligência. Dessa forma, qualquer coisa que ofusque o destaque que esses buscam avidamente, torna-se algo a ser combatido, julgado, criticado e negado.

Quando o bem se manifesta, o ego dos que ainda buscam por reconhecimento pode sentir-se ameaçado. Então, em vez de admirar algo que convida à bondade e estimula a melhora moral, preferem duvidar, porque a dúvida preserva a autoimagem e o orgulho pessoal.

Exatamente assim se deu naquele sábado, na sinagoga de Nazaré.

Jesus adentrou o recinto, e ele estava lotado. A grande maioria ali o conhecia, já que Nazaré era um pequeno burgo e as famílias todas interagiam na comunhão da fé.

Jesus caminhou calmamente entre eles até o centro da nave, sob o olhar curioso de todos. Subiu o estrado e, como era um rabi de Israel, um dos servos do templo entregou-lhe um rolo. Suavemente, o Mestre desenrolou-o e, devagar, pousou o olhar exatamente na passagem do livro de Isaías, lendo-a para todos:

— “O Espírito do Senhor repousa sobre mim. Ele ungiu-me para anunciar a Boa-Nova aos pobres e sofredores, enviou-me para curar os corações aflitos, para libertar os cativos, restituir luz aos olhos dos cegos e proclamar aos oprimidos a redenção.”

Depois dessa leitura, o Mestre sentou-se, devolveu a escritura ao atendente e disse:



— “Hoje essa profecia do profeta Isaías se realizou.”

E da sua boca jorraram palavras de profunda sabedoria e tamanha beleza que os presentes, estupefatos, em um arroubo de emoção incomum ao temperamento judeu, levantaram-se e o aplaudiram de pé, em grande comoção.

No entanto, alguns dos presentes começaram, depois das palmas, a questionar as palavras do Mestre, fazendo nascer no ambiente, dúvidas e negações.

Dessa maneira agem esses que se tornam estéreis para a compreensão das palavras do bem. Já que são movidos pelo ego e se concentram apenas na procura dos defeitos, ficam impedidos de aproveitar a oportunidade das lições, aprendendo humildade e se melhorando.

São eles próprios que erguem as barreiras que os impossibilitam de entender essas mensagens de luz, que muitas vezes são endereçadas para clarear essas mentes obstaculizadas pelos seus ciúmes e orgulhos.

Naquele momento, esses pigmeus começaram a espicaçar o público presente com suas questiúnculas da verve invejosa:

— “Não é este o filho do carpinteiro? Não o vimos crescer entre nós? De onde ele traz essas novidades e quem lhe ensinou tais palavras? Não é sua mãe, nossa conhecida, Maria? Não são seus irmãos, que inclusive discordam dele, Tiago, José, Simão e Judas? Não vivem suas irmãs entre nós?”

Jesus olhou-os com tristeza e redarguiu, notando a vibração contrária e negativa naqueles que atiçaram desconfianças às suas palavras:

— “Nenhum profeta encontra maior desconsideração que a da sua própria pátria, na sua própria casa.”

E mesmo aqueles que o tinham aplaudido de pé, agora, motivados pela conversação negativa, disseram a Jesus:

— “Por que, então, não fazes aquelas coisas que inventaram que fizeste em Cafarnaum, aqui, na nossa frente, aos nossos olhos, para podermos ver e crer que Tu és quem dizes que és?”

Olhando-os ao redor da sala, Jesus falou:

— “Da mesma forma que havia muitas viúvas necessitadas de amparo em Israel, no tempo de Elias, e ele não pôde auxiliar nenhuma delas, mas foi mandado à viúva de Sidon para socorrê-la. Igualmente, havia muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles pôde ser limpo. Contudo, Naaman, o sírio, foi por ele limpo.

Um profeta não pode fazer suas obras entre seus concidadãos e na sua própria casa, pois aí é destratado. E como vocês não têm fé, eu aqui nada farei.”

As palavras de Jesus feriram o orgulho extremo da raça. Dizer a um judeu que ele não tinha fé era uma afronta. Irados, eles tomaram Jesus e o levaram para fora da cidade, em direção a um conhecido abismo, com a


intenção clara de o precipitar de lá. Mas o Mestre os confundiu, tornou-se invisível e desviou-se deles, pois não era chegada a hora do testemunho.

Deixando Nazaré, Ele ali fez muito pouco, algumas poucas curas, pois eles não criam n’Ele, demonstrando negá-lo em tudo. Inclusive, seus irmãos o perseguiam e não comungavam de seus ideais.

É desse jeito, assim age a humanidade quando o bem se apresenta. Há muitos incomodados, já que, entre os pares, se alguém se destaca vertendo algum tipo de luz, a inveja se faz presente. O altruísmo do serviço e o bem plantado não são devidamente analisados em sua profusão por esses corações, onde brota, mesmo sem sentido, o ciúme, e eles necessitam apenas se concentrar em descobrir os erros.

Felizmente, o bem obra em silêncio, e, enquanto uivam contra ele, ele continua ministrando seus benefícios de forma constante e sem jamais precisar se defender.

Os corações conscientes das oportunidades da vida respeitarão e valorizarão cada oferta da luz, sem se unirem aos mesmos que, negando as palavras do Mestre, perderam a chance ímpar de crescer, evoluir e corrigir seus ímpetos.

Natividade

Mensagem psicografada na sessão mediúnica de segunda-feira, dia 27 de outubro de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio.

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