Sal da Terra - Natividade (1003)


“Vós sois o sal da terra”.

Mas quem era esse “vós” ao qual Jesus se referia? Todos os seres humanos, sejam eles cristãos ou não.

O sal da terra são os talentos inatos da criatura, são as virtudes que lhe pertencem.

A analogia que Jesus usou do homem com o sal é magnífica, diríamos mesmo genial. Temos nela dois elementos distintos: o símbolo do sal material, acessível a todos; e o símbolo do sal espiritual, que só pode ser compreendido na medida da evolução de cada ser que se identifique com as coisas espirituais.

O sal dos homens tem duas finalidades básicas e importantes. A primeira é dar sabor e realçar o gosto dos alimentos; a segunda, conservar, impedindo que se estraguem logo.

Pois bem, o sal espiritual também tem as mesmas duas finalidades. A de dar sabor. Ele é, no ambiente em que vive, sejam quais forem as dificuldades e empecilhos existentes, a expressão do gosto pela vida, realçando a fé inabalável. E ele também preserva. Preserva a própria alma das corrupções morais, nesse mar imenso de licenciosidade, de interesses premeditados na vida pública e privada, imerso nesse oceano de libertinagem, mentiras e profanações, o sal espiritual preserva das coisas que envenenam o coração e estagnam a mente.

O homem sal espiritual é aquele que traz bons exemplos ao mundo, evidenciando o bem e o amor nas suas expressões.

O sal material é o que deturpa tudo. O homem que é influência negativa é o sal que se tornou insosso, estragado.

Quando ele ascende às suas virtudes, ele é o sal bom, que influencia beneficamente aqueles que o rodeiam, temperando a vida de ânimo e fé.

O homem sal material, exatamente por isso, não pode entender essas analogias espirituais, visto que é incapaz de pensar nessas conjunturas da essência humana, a espiritual, e apenas se preocupa com as coisas da matéria, e são somente por elas que se interessa. Esses homens não sentem a necessidade de olhar além da matéria. O foco deles está no “aqui e agora”, sem preocupação com questões existenciais.

Naquele dia, a sinagoga de Cafarnaum estava tomada de novos ouvintes das palavras do Mestre, onde se reuniam, entre esse grande público, aqueles já acostumados a seguir a Jesus nas suas pregações ao ar livre.

De repente, algo que Jesus disse deixou aquela assembleia alvoroçada. Ouviam-se murmúrios de descontentamento e objeções à fala, e isso deixou os discípulos apreensivos, pois eles queriam que seu Mestre fosse adorado em Israel e não execrado.



Mas o grupo de descontentes com o que Jesus tinha dito crescia, e os discípulos temiam represálias. O povo judeu era acostumado a esses espetáculos de agressividade, de lapidação em público, de escárnio e violência contra os que falassem algo que ia de contra as suas crenças.

O problema era que Jesus tinha dito que o pão que saciou o povo judeu não fora trazido por Moisés, mas que era espiritual, trazido pelo Pai Amantíssimo, e eles interpretaram isso como um desrespeito ao maior profeta e legislador dos hebreus. Ainda assim, continuou Jesus:

- “Eu sou o pão da vida! Aquele que se alimenta desse pão, não perecerá”.

“Esse pão é diferente do pão que seus antepassados comeram e mesmo assim morreram”.

“Quem comer desse pão, viverá eternamente!”.

Pronto, a insatisfação era geral. Eles estavam mais furiosos, porque agora Jesus dizia que era algo melhor que o ‘maná’ com o qual Moisés salvou o povo judeu. Aquilo, para eles, era uma afronta. Por essas falas, é que muitos diziam que Jesus foi um revolucionário para o contexto social e religioso da época.

Agora parecia que a massa partiria para cima de Jesus, a chance de agressão ficara inevitável, até que um entre eles se levantou e disse:

- “Teu discurso é muito duro. Nós não podemos ouvi-lo. E quem poderá em Israel?”.

E Jesus olhou-os calmamente e, com a coragem que lhe era característica para dizer o que devia ser dito, falando sem se importar com os julgamentos e convenções humanas, voltando à palavra, perguntou:

- “Isso que eu digo os escandaliza?”.

E muitos balançaram a cabeça afirmativamente. O Mestre, então, completou:

- “Que será, pois, quando virem o Filho do Homem, referindo-se à sua humanidade, subir para o lugar onde estava antes, nos céus?”.

Bastou! O constrangimento agora era geral. O orgulho dos judeus não aceitava que ninguém se comparasse aos grandes profetas.

A turba se enfureceu e queria agir, mas Jesus, calmamente, sabendo não ser a hora do testemunho, falou e, retirando-se, passou por entre eles sem ser molestado:

- “As palavras que eu lhes tenho dito são espírito e vida, contudo, vocês preferem a interpretação humana”.

Aqui repousa uma grande lição: aquela de que o homem se apoia mais nas palavras ditas, sem querer examinar-lhes todo o sentido e as verdades contidas nelas. Muitas vezes ironizando o que chega pela boca de quem chega, porque está preso a estereótipos, a convencimentos limitados por essa ou aquela religião, e assim nos fanatizamos, onde quer que nos apoiemos em meras interpretações, sem querer decidir pelas verdades livres.


Quando o ser decidirá pensar livremente, fora do cativeiro das sombras criadas pelo próprio homem, na construção das suas doutrinas transitórias, cheias de preconceitos, implicâncias e intolerâncias?

Quando ele vai parar de se fechar para qualquer lição que não obedeça aos moldes onde ele controle e interprete o que foi dito, se presta ou não presta, julgando ou auferindo importância ou irresponsável crítica sobre tudo e todos?

A crença pura e simples, vaga e fanatizada, é própria daqueles que possuem uma religiosidade rasa, de pessoas cheias de defeitos, que querem colocar regras e discriminações em tudo, cheios de hipocrisia, assim como eram e faziam os religiosos à época de Jesus.

Quando o homem vai sair desse calabouço de querer conviver como separatista, que divide, pune e agride quem não pense e comungue os mesmos ideais que ele?

Esse é o sal estragado, que não tempera, que perdeu seu papel de trazer gosto à vida.

Somente sendo o sal espiritual o homem entenderá a fé viva, a fidelidade ao bem, a sintonia e harmonia entre a criatura e o Criador.

A fé temperada com o sal das crendices humanas é essa fé nos lábios, mas fraquíssima no coração, é essa fé que separa.

Quando souber ser somente sal espiritual, o homem entenderá sua função de trazer virtudes à tona, unindo e dando sabor à existência.



Irmão Natividade

Mensagem psicografada na sessão mediúnica de segunda-feira, dia 15 de setembro de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio.

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