Perdoa e se liberta - Simão (999)

O ser traz consigo um cabedal de informações oriundas de experiências transatas.

Diríamos que, realmente, o ‘eu’ que se expressa na carne é apenas a ‘ponta do iceberg’; o ‘eu’ profundo, aquele que traz consigo as reminiscências pregressas, vive no âmago, no inconsciente não revelado, no arcabouço do ser.

Muitos falam que gostariam de se lembrar das suas vidas passadas; porém, a Providência Divina, com a sapiência que lhe é característica, sabe que isso, há muitos enlouqueceria, desvendando as atrocidades perpetradas pelo ser, mergulhando no ontem dissipado da memória para se descobrir nos deslizes insuportáveis.

Pois nós fizemos barbáries que, hoje, caminhando o tempo e favorecidos em consciência, não suportaríamos saber dos ultrajes que cometemos quando selvagens e cruéis.

Nessa jornada das existências, temos necessitado energicamente do Perdão; sem os benefícios que ele nos trouxe, estaríamos ainda nas valas abismais às quais nos projetamos por incúria e insensatez.

Passamos pela oferta do Perdão diversas vezes e, sem ele, estaríamos entregues à loucura, lunáticos por não suportarmos facear os próprios atos desvairados.

Sim, essas ações grotescas que repulsamos hoje, e essas atitudes bestiais que repelimos e criticamos nos desequilibrados do caminho, nós as praticamos, às vezes com maior insanidade e mais crueldade, incorrendo em erros dantescos no passado.

Logo, que seria de todos nós sem a oferta do Perdão na nossa jornada de crescimento?

Primeiro, o perdão daqueles que foram agredidos por nossa ignorância; perdão dessas vítimas que molestamos; perdão daqueles que supliciamos e torturamos; perdão desses que padeceram sob nossa cota de tirania e orgulho.

Segundo, precisamos também do auto-perdão para restabelecer quem somos; ou, de outra forma, não encontramos equilíbrio e paz. Perdoar a nós mesmos é necessário, ou não poderemos seguir em frente.

O véu do esquecimento das reencarnações é um prestigioso contributo para que possamos lidar com as culpas que ainda se instalam no nosso eu profundo, até que possamos, todos, através do amor e do serviço no Bem, sanar os débitos de outrora.

O ‘eu’ de hoje não reconheceria o ‘eu’ selvagem de ontem; o Perdão é uma ponte que nos liga a um futuro de paz, e somente através dele podemos prosseguir.

Dessa forma, nós temos a obrigação de perdoar, já que o perdão nos liberta nas duas pontas: na dos que, recebendo o mal que realizamos, nos perdoaram, e na dos que, nos fazendo o mal, somos nós que devemos perdoar.

Perdoar é saúde, porque liberta o ser de sentimentos que adoecem: sentimentos rasos, de mágoas, de ressentimentos, de traumas, de obliterações, de angústias, de vinganças, de perseguições e, principalmente, do ódio ferino que resiste ao tempo e dura por séculos em ressarcimentos dolorosos.

Perdoar é se aproximar do Divino! Coitados dos que ainda não conseguem perdoar e vivem assombrados por sentimentos vis.

Perdoar não é esquecer; isso faz parte da memória. Perdoar é não guardar mágoas, é não guardar revoltas, é não desejar o mal, é não planejar o contra-ataque em ações de revide. É seguir sem se entrelaçar com o ódio e com o ressentimento.

As criaturas que mais sofrem como prisioneiras da mente são aquelas que, orgulhosas, não cedem ao perdão e precisam do remédio do sofrimento para entenderem o mecanismo das existências e lembrarem que os espíritos foram criados simples e ignorantes, sujeitos ao erro e regrados pelos instintos animalizados, até que vençam suas mazelas e evoluam no sentimento, aprendendo a Amar e Perdoar.

Nós todos estamos necessitados desses dois anjos da nossa jornada, que nos impulsionam as cumeadas da Paz.

Amor e Perdão, com eles somos libertos e estaremos sempre envolvidos pela consciente destreza do evoluir.


Simão


Mensagem psicografada no dia 21 de agosto de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

* Tema da noite escolhido aleatoriamente por um integrante no começo da reunião mediúnica

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