Imperfeitos e Iniciados - Camilo (996)


Bem sabemos que a perfeição absoluta é impossível de ser alcançada na Terra. No entanto, a perfeição moral, ainda na contingência desse mundo, é, sim, possível.

E o homem normal quer alcançar essa perfeição. Existe nele um desejo inato, apelativo, de se melhorar, de expandir. E ele não aceitará ficar na mediocridade, pois Deus habita dentro do homem. O Criador está na sua criatura.

Logo, ele, mesmo sem sentir, caminha para a evolução e dela não pode se evadir. O homem consciente sabe que se melhorará através da bondade. E ele, ainda mesmo nos estágios atrasados em que vive, ensaia a bondade e é por ela fascinado, sabendo morar aí sua melhoria e evolução.

Contudo, quando age com bondade, caridoso, experimenta desilusões, já que, no planeta em que vive, há aqueles que se aproveitam dos corações doces. Portanto, ele refreia o bem que está ao seu alcance, que poderia fazer, com medo de ser abusado, castrando essa iniciativa em muitas almas.

Já dizia um provérbio oriental: “Não sejas tão doce para que não te devorem, nem sejas tão amargo para que não te vomitem”. Deste modo, ele guarda ressalvas com a bondade, já que, antes de fazê-la, pesa na balança dos ganhos e perdas.

Temos a capacidade de definir o homem da Terra em três categorias bastante distintas, com seus respectivos níveis dentro de cada uma delas.

As duas primeiras são onde se posiciona a grande maioria da humanidade, e a última é rara, sendo difícil encontrá-la, definindo-se como uma exceção que um dia será a normalidade desse homem.

A primeira categoria seria a dos “imperfeitos de má-vontade”. Esses não querem o bem, nem o fazem, não comungam com a bondade. Quando invariavelmente a praticam, é para enganar os outros ou com segundas intenções. Ainda são atraídos pela maquinação da maldade, mostram-se intolerantes e não são empáticos aos sofrimentos alheios. Nesses, os vícios ainda comandam e são amantes dos prazeres vis. Na verdade, eles estão no início do seu processo evolutivo na Terra, guardam pouca consciência das suas ações e rejeitam os conselhos bons que lhes chegam, zombando dessas ofertas. Agem com astúcia para auferirem vantagens e são dados à bajulação e a falsidades bem articuladas. Eles são o oposto da perfeição.

O segundo grupo seria o dos “imperfeitos de boa-vontade”. Nesses, percebemos o desejo de se melhorar. Já agem no bem e têm ações que os fazem parecer verdadeiros anjos, só que não se sustentam nessas ações por longo tempo. O bem deles é alternado entre suas más qualidades e despreparo, descendo tantas vezes a sentimentos rasos. O que lhes diferencia é que mostram consciência do erro e estão vivenciando lutas tenazes para vencer seus vícios e enganos. A eles falta maior esforço e vigilância quanto ao próprio agir e pensar, vencendo as mazelas neles. Podemos ver-se desenhar uma partilha melhor, pois eles desejam chegar à perfeição moral e se debatem nessas tentativas, sofrendo quando derrapam. Esses estão na marcha evolutiva; alcançaram a fase intermediária já.

A terceira categoria seria rara ainda na Terra. São os “iniciados”. Esses não precisam fazer o bem: eles já são o próprio bem. Seu dizer e seu proceder são marcados pela autenticidade. Neles, não encontramos segundas intenções ou inverdades; eles inspiram os outros e servem como bom exemplo. Por seus esforços e grande disciplina, esses já venceram seus vícios e enganos, e a perfeição moral neles se destaca. Quando adentram os ambientes, sua radiância é logo percebida e são recebidos com muito respeito e admiração. Muitos os procuram para obter conselhos e haurir sabedoria. A coragem lhes é inata, fortalecendo a fé. Neles, podemos notar uma certa serenidade no enfrentamento das vicissitudes da vida. E no que, nos outros, angustia e faz perder o equilíbrio, neles é aceito sem assombro. São baluartes da fé e distintos, sem nunca criticar ou desmerecer os semelhantes. Eles são mais essência do que forma. São reconhecidos pela sensatez e, neles, não se nota nenhuma mágoa e não há o que reprochar. Não podem fazer outra coisa senão o bem, pois são incondicionalmente bons, e isso é, para eles, naturalidade: a única forma que sabem agir. Vivem em paz interior e mostram, a todo tempo, desapego e fraternidade lídima. 

Inspirados por esses ainda raros e perfeitos moralmente, nós, os imperfeitos, devemos buscar neles os exemplos que nos certifiquem de que é possível a transformação da pedra bruta em diamante.

Aproveitando as bênçãos inauditas da reencarnação, utilizando a consciência nessa mudança, valorizando as qualidades que os iniciados nos deixam pelo caminho como um legado, usemos-na na construção do nosso novo eu.

Que Deus, nosso Pai Maior, nos permita a lucidez para os entendimentos acerca dos nossos enganos e possamos abater as sombras que nos cerceiam a marcha e exalar a luz reclusa no profundo do eu.


Camilo

Mensagem psicografada no dia 11 de agosto de 2025 na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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