O servo cruel - Natividade (990)


Na época de Jesus, as leis eram muito duras e rigorosas. Não só as penais, igualmente as religiosas e aquelas das relações entre os cidadãos.

Vejam como eram cruéis. Um credor podia cobrar uma dívida não paga da maneira que lhe aprouvesse, mandando prender o devedor, que tinha de executar trabalhos forçados até saldar a dívida. Ou, mais brutal ainda, ele poderia vender o devedor, sua mulher e filhos como escravos para quitar a dívida.

E, pasmem, quem comprava os compatriotas eram os próprios judeus ricos. Ou eles eram vendidos a estrangeiros, e seus bens confiscados. E essa prática era bastante comum à época.

Hoje em dia, é insustentável pensar que seres humanos agissem assim, com tanta impiedade e desdém pelo semelhante.

Jesus se valeu dessa arbitrariedade, desse absurdo cultural para lecionar, usando-o como exemplo, pintado com as cores fortes desse drama social que destruía completamente as famílias. E, na grande maioria, eram os pobres que eram vendidos como escravos, por não terem as condições para pagar.

O Mestre propôs o seguinte:

Um rei, através do seu tesoureiro, descobriu que um dos seus servos lhe devia uma grande quantia de 10 mil talentos.

Para entendermos melhor essa parábola, devemos compreender quanto significava essa quantia, que era uma verdadeira fortuna.

Um único talento valia 6 mil denários. O denário era a moeda mais usada. Para que haja uma devida proporção, notemos que, um denário pagava um dia inteiro de trabalho. Logo, o salário de um mês era aproximadamente de 30 denários. Assim, 6 mil denários, ou um único talento, eram mais de 16 anos de trabalho.

Entendemos, assim, que esse servo devia uma verdadeira fortuna ao seu rei. Dez mil talentos era uma vultosa soma àquela época.

Então, o rei mandou chamar o servo. E, como esse não tinha como pagá-lo, mandou que ele e toda a sua família fossem jogados à prisão, e que seus bens fossem confiscados para saldar parte da dívida.

O servo desditoso, em calamitoso desespero, se jogou aos pés do rei, suplicando clemência e maior tempo para pagar toda a dívida.

O rei compadeceu-se do servo. E, sabendo ser impossível para este saldar soma tão vultuosa, tomado de piedade, num arroubo de comiseração, perdoou integralmente a dívida.

O servo, lívido, agradecido, saiu feliz e festejando, já totalmente livre da grande dívida.


Mas, logo lá fora encontrou um companheiro que lhe devia a ínfima soma de 100 denários. Soma muito pequena se comparada à fortuna que ele devia ao rei e teve perdoada.

Porém, enfurecendo-se, agarrou o companheiro e entregou-o à prisão para pagar toda a dívida, fazendo-se surdo às rogativas do amigo em dar-lhe mais tempo para liquidar a dívida.

Mostrou-se, assim, implacável e inclemente contra o companheiro, que foi levado ao cárcere por sua causa.

Como, nesse reino, nada ficava oculto do rei, esse ficou sabendo do ocorrido, se revoltou e mandou os guardas trazerem o servo cruel.

E agora, implacável, o rei jogou-o na masmorra até que pudesse saldar a sua grande dívida.

Após a impactante narrativa, assevera Jesus:

Assim, também, tratar-nos-á o Pai Celeste, se agirmos sem compaixão e impiedosos com nossos irmãos, pois, com a medida que medirmos, é essa com que seremos medidos.

Percebemos, assim, a grande reflexão dessa parábola, que nos leva a reconhecer que devemos perdoar sempre, já que temos dívidas maiores em nós do que aquelas pessoais vinda dos que nos ofendem.

E, se nos falta a piedade e a tolerância para com as pequenas faltas alheias, como podemos rogar o perdão dos nossos imensos enganos?

Logo, é responsabilidade nossa perdoar todos os que estão em falta conosco. Àqueles que nos ofendem, perseguem, é um dever nosso ofertar sempre o perdão genuíno. Na verdade, o perdão das dívidas, faltas e ofensas que nos fazem é obrigação nossa, um encargo mesmo, porque nós também somos devedores.

Mas há outra lição nessa parábola que poucos se dão conta de referendar, que para muitos passa oculto.

É a de que, não importa quão grande seja nossa dívida, os nossos erros, se tivermos merecimento — e esse merecimento é: termos sempre agido com bondade, com inteireza, com compaixão, com honestidade, piedade e genuína caridade —, assim, nossa dívida, não importa o tamanho, pode ser totalmente perdoada.

Porque sabemos que, o bem feito, cobre uma multidão de erros, fazendo uma contrapartida para saldar nossas dívidas.

Então, quando agimos com clemência, com piedade, com caridade genuína, advogamos em causa própria e nos libertamos de muitas e pesadas dívidas.

 

O servo de todos vós...

Irmão Natividade

Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 14 de julho de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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