Madrugadas de Trabalho nº13 - Alberto Fonseca (991)


Aquela era uma manhã angustiante para aquele pai. Sua filha única havia sido internada numa clínica psiquiátrica.

Boa menina, sempre excelente aluna, dava enorme satisfação à família como filha exemplar.

Sonhava em fazer o vestibular para Medicina, e assim o fez, passando nas provas com louvor, tornando-se a nota mais alta da sua escola no exame.

Dois anos de estudos na faculdade bastaram para que a menina apresentasse um comportamento estranho. Do nada, começou a mostrar alternância no humor.

Repetidas crises a assaltavam, e os pais testemunhavam conversas sem nexo, olhares perdidos e debates acalorados com a família em torno de questões banais, levando-a a gritar e a se desequilibrar facilmente.

Primeiramente, a família pensou tratar-se de alguma fadiga mental por causa dos estudos acadêmicos, mas logo essa hipótese foi descartada, pois a menina agora pouco se dedicava aos estudos e demonstrava padrões de transtornos mentais.

Preocupadíssimo, o pai levou-a a um psicoterapeuta. Inúmeros testes foram feitos, visando um diagnóstico. Exames neurológicos foram providenciados. Mesmo bem atendida, medicada e monitorada pelos profissionais de saúde, a garota não apresentava nenhuma melhora, e as crises, assim como os quadros de psicopatia, só aumentavam.

Uma tia espírita, sem que o pai soubesse, aplicava passes magnéticos na menina e, numa conversa com a mãe, sua irmã, afirmava que a sobrinha necessitava também de um tratamento espiritual concomitante. Ela não entendia muito sobre o assunto das obsessões, mas tinha a forte intuição de que aquilo se tratava de um quadro obsessivo.

Laura, a estudante de Medicina, só piorava. Entretanto, o pai, vindo de uma família evangélica, não permitia que a esposa ou a filha frequentassem a casa espírita, mantendo ele mesmo um certo preconceito em relação a essa tia, irmã da esposa.

Porém, um dia, exausto nas tentativas fracassadas de curar a filha, depois da alta na clínica psiquiátrica, começou a ceder, já que a menina parecia totalmente dopada e perdida, após voltar da internação.

O patriarca, então, aceitou, depois de algumas semanas de observação do quadro delicado da filha, que o tratamento espiritual tivesse início na casa espírita.

A menina começou a frequentar o Centro com a bondosa tia. Laura era levada semanalmente, recebia o tratamento energético dos passes, a água fluidificada, assistia às palestras, mas parecia totalmente alheia a tudo.

Antes sempre bastante comunicativa, inteligente e alegre, agora se mostrava silenciosa, com olhar vago e desinteressada de tudo.

É verdade que as muitas medicações psicoativas a deixaram nessa condição anestesiada, mas o caso se desdobrava nos meandros da mente, invisível a todos.

O espírito que infligia sofrimento à moça enfim se apresentou nas reuniões mediúnicas da Casa, veio cobrando vingança num acerto de contas de longa data.

Narrava o litigante que, na época da Inquisição, Laura fora um juiz do clero e, por pura inveja, o acusara à Santa Sé. Não só isso: tomou parte de seus bens, que por lei eram doados ao acusador.

Ele, dessa forma, fora duramente torturado, sem direito a nenhuma defesa, e, como não professava a fé cristã, padeceu até a morte, num sofrimento inenarrável. Passou tempo incontável numa região de dor atroz, embevecido no ódio, sem conseguir esquecer do seu juiz algoz.

Até que um dia, como se um ímã o puxasse, foi jungido à menina que, devido a um desequilíbrio, atraiu a antiga vítima.

Munido de implacável desejo de vingança, o espírito foi aos poucos minando as defesas psíquicas da garota que, tendo imputações cármicas pelo crime de outrora, teve os feixes mentais e energéticos completamente dominados pelo perseguidor.

Tudo fora encadeado pelo namoro que mantinha às escondidas com um primo, evitando que os pais soubessem dos encontros furtivos, já que os enamorados sabiam que não seriam aprovados pela família. Até que, naquela tarde fatídica, Laura, ao chegar à casa do namorado, o viu com outra mulher no apartamento e, como não podia compartilhar essa situação com os pais, guardou isso dentro de si, entrando num processo de fúria e, depois, depressão, que veio a desencadear o processo obsessivo, sinalizando sua condição psíquica fragilizada para a atuação da antiga vítima, que ainda vibrava no ódio e no desejo de vingança.

Nesse conúbio de lastimável encontro, onde as reparações através do ódio causam ainda mais dor e perseguições, compreende-se a profilaxia originada nessas salas mediúnicas.

A sala mediúnica, especialmente nas reuniões voltadas ao tratamento desobsessivo, é um dos espaços mais delicados e espiritualmente elevados dentro de uma Casa Espírita. Seu papel vai muito além da comunicação com os Espíritos, tornando-se um campo de trabalho, cura, resgate e esclarecimento, tanto para os desencarnados, quanto para os encarnados envolvidos em processos obsessivos.

Nosso irmão fora vítima de Laura no passado, quando ela fora um juiz arbitrário, impiedoso e corruptível pelos valores amoedados que a Inquisição oportunizava aos delatores. Muitos enriqueceram com a desgraça das famílias e indivíduos ao denunciá-los. Os acusados eram então perseguidos e destituídos de seus direitos, usurpados de seus bens.

Contudo, só o amor se apresenta como único remédio para essas chagas abertas nos séculos.

Dentro da sala mediúnica, o médium doutrinador não lhe impôs nenhuma verdade, apenas o esclareceu com amor, atuando como uma ponte entre o plano espiritual e o físico para fazê-lo despertar.

Depois de alguns atendimentos semanais, nosso irmão, cansado de sofrer, percebeu-se profundamente desditoso, mendigando paz, afastado completamente de seus amores, escravo do ódio e que isso não levava a nada.

Em uma oportunidade, a querida mãe se apresentou ao filho sofredor que, por mudança dos padrões de sintonia, conseguiu finalmente vê-la, aceitando o chamado da genitora para se libertar da prisão de tantos séculos erguida pelo ódio. Assim que aceitou o socorro, nosso irmão foi imediatamente levado às câmaras de tratamento nos hospitais do Alto, e Laura recobrou parte da sanidade, voltando gradativamente ao equilíbrio e unindo-se à tia no amor ao Espiritismo. Ali, ela viria a desenvolver mais consciência e atuar na caridade como voluntária, atendendo e auxiliando os necessitados, abatendo e minorando suas dívidas do passado.

A mente é um depositário de atributos duráveis em conta do passado, que devem, de alguma forma, ser ressarcidos pelo próprio ser que causou o agravo dentro das perfeitas Leis de Deus, que regem a harmonia e a paz do ser humano, comandando as estruturas psíquicas do espírito, que só será realmente livre quando não carregar em si esses crimes da ignorância.

Aprendemos assim que, só o amor pode mitigar esses casos embrutecidos e construir as pontes do perdão, libertando as almas escravizadas pelo sufrágio dos seus enganos.

Alberto Fonseca

Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 21 de julho de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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