A Prateleira da Mente - Alfredo Dantas (988)


Imagina agora que, à sua frente, há uma grande prateleira, onde você pode colocar, arrumar e organizar tudo o que há em você.

Essa prateleira não se situa apenas à sua frente. Ela o circunda, o envolve, pelo lado esquerdo, pelo lado direito e ao fundo, onde existe um compartimento oculto.
Essa não é uma prateleira comum. Ela é uma analogia à sua mente e à sua condição interna.
Na sua frente, você armazena as coisas imediatas: as suas decisões racionais e conscientes, seus julgamentos, seus planejamentos, o que você percebe como realidade, que nem sempre é realmente o que você acredita ser, e a sua autoimagem atual, o que você pensa sobre si mesmo e como você se define.
No lado esquerdo, você guarda os novos aprendizados, as suas narrativas ocasionais, a sua história contada por palavras, nem sempre condizentes com a verdadeira versão, algumas mensagens já prontas dentro de você, que você usa repetidas vezes para falar de si mesmo.
No lado direito, você armazena suas emoções, sua síntese, memórias que pode acessar rapidamente. Aqui também se situam a criatividade, as intuições, sua emotividade e suas inspirações. Coisas que nem sempre sabemos explicar, mas sabemos senti-las e que são genuínas em nós, ficam aí igualmente.
Porém, é no compartimento dos fundos, oculto, que se situa o verdadeiro dilema de quem é você.
Você realmente não sabe tudo o que guarda aí dentro. É algo misterioso, indecifrável, insidioso, e o surpreende muitas vezes, exatamente porque você se nega a vasculhar esse conteúdo, seja por não aceitá-lo, seja por tentar negá-lo ou, mesmo, por medo das reminiscências aí ocultadas.
É nesse fundo falso, oculto, que estão aquelas memórias que pedem para serem esquecidas: emoções não digeridas, traumas escondidos, manias não relacionadas, medos, castrações, imposições, crenças limitantes, vícios desestruturadores, pensamentos sabotadores, que o acompanham por largo e longo tempo.
Na verdade, você evita olhar para essa prateleira, finge mesmo que ela não existe. Dessa forma, ela vai se manifestando ocasionalmente, como se criada por pensamentos inconscientes que se revelam de forma automática e sem ser notada.
Esse espaço oculto é o inconsciente. Ele registra tudo aquilo que você tenta não lembrar. É lá que residem os conteúdos que agem sem que percebamos, afetando decisões, nossos relacionamentos e nossos humores. Aí se misturam gatilhos emocionais que nos controlam a personalidade, decisões impulsivas, crenças, manias e vícios que você tenta ocultar dos outros e de si mesmo, que se manifestam por padrões nem sempre compreendidos.
É verdade que você já não é mais aquele de tempos remotos. Seu ser evoluiu. Contudo, ainda age de forma controversa às suas vontades.
Vez ou outra, esse lado oculto se manifesta, surpreendendo você mesmo, que tenta enterrá-lo, extingui-lo. Porém, ele se mostra vivaz e ativo em tantas ocasiões, pensamentos e ações incontroladas.
Tudo isso emerge de redes neurais cerebrais automáticas, que foram sendo construídas sem a participação do pensamento consciente, sem nos darmos conta.
E se pudéssemos organizar essas prateleiras e ter mais domínio sobre os conteúdos que repousam nelas, arrumando, dando orientação e equilíbrio às coisas aí depositadas?
E se você conseguisse jogar fora tudo aquilo que não presta mais e só está ocupando espaço e o atrapalhando a ser livre?
Sim, é possível!
Inclusive, é possível acessar esse compartimento oculto e reorganizá-lo, ressignificando-o, reprogramando-o, dando outras funções a ele, devido à plasticidade da mente.
Basta que o ser queira e se condicione a estar mais desperto, mais atencioso a esses seus procedimentos automatizados, a esses pensamentos sabotadores, fazendo uma autoavaliação constante, tomando as rédeas desses ímpetos, tirando o pó das memórias velhas e já imprestáveis, ressignificando-as com um novo valor. Evitando as queixas e o vitimismo, refazendo essas ligações neurais por meio de uma mente mais educada, equilibrada, atenciosa e consciente desses mecanismos padronizados e automatizados que nos fazem repetir ações e pensamentos improdutivos.
Sim, é hora de nos olharmos mais, de devassarmos essas coisas que tendemos a ignorar, porque evitamos encarar esse lado nosso que transgride a evolução que desejamos impulsionar na nossa vida.
O circuito pode sim ser remodelado. Velhos padrões podem perder a força e novos caminhos podem ser reconstruídos com verdade, apreço e atenção. Basta você a isso se decidir.
E é nesse momento que o extraordinário acontece...
Vamos nos percebendo integralmente e, nesse colóquio pessoal, encontramos com Deus dentro de nós. Não como um fiscal da bagunça dessas prateleiras, que nos cobra organização e equilíbrio.
Não!
Mas como alguém que nos conhece por inteiro, uma presença amorosa, que devassa todos os lados e sabe dos nossos defeitos, das nossas imperfeições, enganos e maldades que ainda persistem em nós. E mesmo assim Ele nos ama inteiramente e nos aceita como somos, aguardando pacientemente o momento do despertar e da nossa resolução de mostrar Ele, o Deus que existe, brilhando dentro de nós.
Alfredo Dantas Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 07 de julho de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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