O Ipê-Amarelo - Anastacia (986)

Naquela estrada longa e empoeirada, os viajantes passavam ligeiros, sem quase se dar conta daquela árvore que, à margem do caminho, solitária, era ignorada. Seu tronco seco e seus galhos retorcidos e ressequidos não fascinavam a ninguém.

Só que, na fase certa, quando chegava a sua hora, ela desabrochava num lindo espetáculo. O velho ipê-amarelo se enchia de folhas douradas, decorando todo o entorno com as folhas amarelas que caíam. Só assim o grande ipê chamava a atenção. Tanto que os viajantes paravam no acostamento para ver o espetáculo das suas cores. Muitos saltavam, tiravam fotos e ficavam sensibilizados com o cenário impactante de beleza que o ipê-amarelo criava, emoldurando a natureza de estesia em todo o seu entorno.

Bem, exatamente assim somos nós, trabalhadores do bem
. Se estivermos no local certo, com as raízes profundas e fincadas no solo da tarefa, na fase certa, daremos as flores e perfumaremos o caminho, tornando-o um espetáculo para muitos.

Essa é a nossa proposta. Enfrentarmos a preparação para o momento oportuno de florir.

Às vezes, nossa oferta é ignorada. Mas, mantendo a certeza nos talentos que temos em nós, escondidos às vezes, e nos mantendo firmes no propósito, embora pareçamos ignorados ou até mesmo nos imaginemos inúteis no trabalho, se persistirmos, confiando nos resultados do voluntariado e do coração que se oferece ao serviço, as flores certamente virão e embelezarão a nossa paisagem e a dos semelhantes.

Se manter no trabalho do bem, sem qualquer relevo, sem ser notado, sem se exasperar com resultados, mantendo a fé firme e a resolução de continuar, não é para todos, e sim para aqueles que sabem se diminuir, aguardando a época da floração.

Estar sob os holofotes, enfrentando as pressões das opiniões alheias e, muitas vezes, controversas, também não é fácil. Aliás, nunca foi fácil se doar ao bem, de qualquer maneira, em qualquer local.

No processo haveremos de reconhecer que tudo o que venha, de bom ou ruim, as perseguições como os aplausos, os destratos como os elogios, as calúnias como as encomendas de favorecimento, tudo pertence ao Cristo. Que as críticas não nos abatam e que os elogios não nos inflem jamais o ego.

O verdadeiro cristão é aquele que se oferece ao trabalho, sem escolher onde semear, aceitando as estações, as dificuldades, as adversidades, sem jamais abandonar o serviço. Porque todo aquele que abandona o serviço, mesmo que execute outro semelhante, será o responsável pelas lacunas que foram deixadas. Às vezes, os genuínos trabalhadores são aqueles que, silenciosos, operam e não se usam do trabalho, mas se doam, reconhecendo a oportunidade ímpar de servir ao bem.
Assim como a árvore, todos nós temos o momento da floração. Cabe a cada um continuar firme, aguardando a hora exata para florir, nos preparando, enfrentando as chuvas torrenciais, as ventanias, o frio, a geada, o sol causticante, até que chegue o momento das flores.

E então, nossa existência colorirá o mundo.

Anastácia


Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 19 de junho de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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