Prisioneiros do passado - Alfredo Dantas (979)

 

Milhões de seres se encontram prisioneiros do passado, que, atados a eles por sentimentos de pesar, os condicionam a sofríveis lembranças.


Tal como uma bola de ferro atrelada aos seus corpos, que os impede de se sentirem libertos, são prisioneiros do chão, cativos dos traumas e recordações que alimentam dores ainda não equalizadas no interior do ser.

Bem, se aceitássemos que descemos à Terra para evoluir, exatamente através das experiências e lições que nos faltam no processo do crescimento, olharíamos de forma diferente para o ontem. Isso já nos permitiria ver o passado de uma forma diferente.

Nossos enganos, os traumas que vivenciamos, as adversidades enfrentadas, as traições, as maldades faceadas, tudo seria assim entendido como métodos da vida, passando a pertencer a um estranho mecanismo que favoreceu exatamente essas situações de sofrimento e experimentação que necessitávamos vivenciar para obter o conhecimento que o espírito usa para despertar, crescer, aprender e evoluir.

Dessa forma, já não precisaríamos guardar mágoas, ter tantos rancores, raivas e ódios daqueles que nos fizeram mal. Por esse ângulo, os veríamos como reais colaboradores do nosso progresso, auxiliares desse mecanismo intrincado que nos favorece experiências de ensinamento e crescimento.

Outra forma de reprogramar o passado é entender genuinamente que nada ocorreu por acaso, que tudo estava interligado aos nossos gravames, e se existem os fatos, há uma causa, e ela quase sempre repousa em ocorrências antecedentes aos registros dolorosos desse passado recente.

É necessário ressignificar o passado, analisando-o de uma maneira diferente como uma oportunidade de transformação. O passado então não representa mais uma ameça, uma sombra no seu destino, vira um aliado, se transmuda numa ferramenta de renovação.

Quando o ser adota uma postura mental de aceitação do seu passado, aciona outros mecanismos de recebimento dentro dele, abandona a postura vitimista e começa a ser grato por tudo de ruim que vivenciou, entendendo os benefícios dessas experiências nas modificações da sua mente, em termos de crescimento, aprendizado e transformação, revelando paciência e autoconhecimento.

O passado é, na verdade, uma grande escola, quem é lúcido, quem se analisa, usa-o em seu benefício.

Olhando para o passado, tempos hoje uma ferramenta maravilhosa, podemos ver onde erramos, analisar nossos comportamentos do ontem, fraquezas, limitações, falta de discernimento e tantas outras falhas nossas, impedindo que continuemos a perpetrar os mesmos erros.

Essas criaturas que não podem ir ao passado mentalmente porque se ressentem, se magoam e sofrem, ainda são, infelizmente, prisioneiros das ocorrências circunstanciais.

“Ah, mas eu fui abusado na minha infância, fui injustiçado e desrespeitado exatamente por aqueles que deveriam me proteger e cuidar”. Olha aí, uma grande oportunidade de entender o passado sem assumir o papel de vítima, trazendo um despertamento ao espírito que, ontem, como algoz, não sentiu dor ou remorso algum, vilipendiando a vida alheia, ultrajando um filho, uma filha, molestando e excluindo. Hoje, como padecedor dessas mesmas dores, o espírito tem a oportuna condição de sentir na própria pele, no íntimo, o que fez sofrer, e logo, sentirá repulsa desses atos, e jamais cometerá os mesmos crimes. Essas são as engrenagens da Justiça Divina, que se apoia na lei de ação e reação, condicionando os seres a experimentarem, aprendendo pela própria vivência.

Fazer as pazes com o passado, é entender que a vida pode ser muitas vezes injusta, que adversidades ocorrem, mas saber que nada acontece por acaso e sem um fator encadeador, que repousa numa causa antecedente, nos liberta da vitimização.

Isso por si só já ameniza dores, além do mais, o passado que mais martiriza, representa exatamente o campo de experiências que o ser necessitava vivenciar.

Assim, hoje, o passado pode ser uma grande ferramenta para o seu, a sua autoanálise, utilizando-o como uma escada para subir, e não para deixá-lo preso à retaguarda.

Ficam presos ao passado aqueles que não querem abandonar o vitimismo, que se ressentem quando buscam a lembrança, que usam-na como um escape para justificar certos fracassos, que necessitam de culpados para prosseguir no papel de vítimas e reféns dos episódios acontecidos. Esses que estão sempre acusando, pai, mãe, marido, esposa, filhos, chefes, que precisam dessas muletas para a continuidade das suas lamentações, porque estão condicionados ao sofrimento, cativos desse sentimento de inferioridade e pieguismo que aí é gerado.

Tem pessoas que dizem que não conseguem esquecer o passado. Claro, a memória faz seus registros, e quando menos se espera, os sentimentos não trabalhados no entendimento, ancorados nos traumas, vêm à tona. O segredo não é esquecer o passado, é ressignificá-lo, fazendo uma outra interpretação dele.

O ser que entende que a vida é complexa, que adversidades acontecem a todos, se liberta mais facilmente do passado (não há ninguém na Terra que não tenha experimentado o sofrimento). Sendo assim, não é o que ocorre que importa, e sim o significado que você dá a essa ocorrência.

Qual eleição você vai dar a certos acontecimentos? Serão eles eleitos como condicionadores limitantes da sua vida? As pessoas que se auto-sabotam, geralmente se colocam no centro das ocorrências, e se enxergam como injustiçadas, como vítimas dessas situações, mártires, e isso fatalmente gera a dependência psíquica desses acontecimentos, ocasionando traumas que serão difíceis de se libertar, quanto mais eles estiverem entranhados no íntimo do ser.

Os valores pessoais e sociais que carregamos, junto a muitas das nossas crenças, constroem em nós convencimentos baseados puramente em sugestionamentos que trazemos junto a nossa realidade e vamos impondo isso às nossas vidas; regras, princípios absurdos, moralidade doentia, religiosidade fanática, normas exageradas, valores enganosos, que não condizem com a realidade e com a harmonia da vida e sem notarmos, já somos marionetes desses nossos juízos e preconceitos.

Temos a responsabilidade de instituir em nós o equilíbrio emocional e procurar retirar o melhor de cada acontecimento, sem nos tornamos prisioneiros dessas experiências.

Devemos entender que jamais nos ocorre aquilo que não nos seja necessário vivenciar. E outro detalhe, muitas dessas provas fomos nós mesmos que as escolhemos, sabendo que as lições nos seriam importantes.

Vamos já ressignificar o passado e vê-lo como um elo transformador, e não como uma âncora em uma cadeia que segura à expansão da vida.

 

 Alfredo Dantas

Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 08 de maio de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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