Madrugadas de Trabalho 12 - Alberto Fonseca (966)
A chuva fina molhava o asfalto, transformando-o em um espelho reflexivo. As luzes dos apartamentos apagadas indicavam que a cidade dormia em silêncio, após um dia agitado de trabalho na urbe.
Para o grupo de trabalhadores, a madrugada serena convidava à continuidade das tarefas no serviço de assistência aos encarnados.
Incorporados à tarefa, estavam oito médiuns desdobrados que, junto à equipe espiritual, desenvolveriam exercícios sob os auspícios do socorro, aprendendo de forma prática os pormenores de um atendimento em equipe. Ao todo, 40 Espíritos se dividiriam em quatro grupos, levando dois médiuns desdobrados em cada um deles.
Rumamos para um apartamento em um prédio de uma zona nobre da cidade de Salvador. A cidade dormia, e muitos encarnados se encontravam fora do corpo, ligados às coisas que os atraíam, procurando os ambientes que os satisfariam. Muitos, para nós, pareciam dementados; outros, tais quais verdadeiros zumbis, sem se dar conta do que lhes ocorria. Ainda outros dormiam caminhando, e um reduzido número mantinha certa lucidez. Mas quase nenhum deles se lembraria da saída do corpo quando acordasse. Alguns teriam referências de um sonho, e muitos acreditariam ter tido um pesadelo.
Na verdade, são poucos os encarnados que se preparam propriamente para a hora do sono, lembrando-se de se conectar ao Alto, meditando, relaxando a mente e fazendo a ponte com seu Mentor ou Guia, pedindo para ter uma experiência lúcida ao desdobrar.
Quase sempre, aqueles que fazem parte de reuniões mediúnicas de desobsessão, quando já mais adestrados, são levados a trabalhar. As energias anímicas, ligadas aos padrões da Terra, são úteis nos trabalhos, e esses tarefeiros são utilizados de inúmeras formas, aprendendo, ainda na carne, a participação nos grupos missionários de socorro.
Não nos enganemos: a Terra e sua psicosfera, em toda a sua crosta, são profundamente necessitadas de socorro. Os grupos missionários que atuam em seu entorno — desde as colônias espirituais até o solo, a crosta, os umbrais e os abismos — desdobram seus serviços ao infinito. A missão é minorar o sofrimento, libertar os seres escravizados e conscientizar as entidades endividadas e ignorantes, sempre sob a égide do Amor e da Fraternidade.
Logo, nosso grupo chegou ao local programado e se reuniu em um apartamento. Subimos até o quarto andar do prédio e adentramos um lar bem decorado, de dois quartos. Nosso orientador solicitou que voltássemos nossa atenção para a criança que dormia no primeiro quarto à esquerda do corredor. Era uma menina que aparentava ter entre 8 e 9 anos.
Notamos que seu sono era agitado. A criança demonstrava dificuldade para respirar, debatendo-se na cama e gemendo. Fomos orientados a concentrar nossa atenção em seu coronário. Prontamente, identificamos a figura de uma mulher ligada à menina por fios tênues, envolta em uma atmosfera densa de ressentimentos. Seu semblante exibia um estado dementado: cabelos desgrenhados, olhos esbugalhados, como se estivesse em permanente estado de pavor. Emanava uma paixão doentia pela criança, compartilhando da mesma dificuldade em respirar, além de uma profunda desilusão.
Cogitamos, então, ao dirigente quem seria aquele espírito. Ele nos esclareceu: — Essa é a mãe de outra encarnação da pequena Carolina. Toda noite, ela vem em busca da menina, atormentada pelas dores da culpa.
Ela negligenciou, em sua vida passada, as responsabilidades de mãe e fez a filha sofrer. Entregue ao vício do álcool, descuidou do corpo e da saúde até a morte.
Hoje, ela busca a menina movida pelo próprio ressentimento. Ainda sem equilíbrio, procura recompensar o tempo perdido como mãe desnaturalizada.
Aproxima-se da garota, implorando-lhe perdão e tentando resgatar o papel de mãe que negligenciou. Encontra-se doente e marcada pelo vício, e, devido a isso, tem dificuldades de respirar, transmitindo essa aflição à criança. A menina sofre com a presença desse espírito, que não é mal-intencionado, mas, por ignorância das suas próprias condições, acaba causando-lhe dor. A respiração da garota se agrava devido aos laços cármicos que as unem, frutos de encarnações passadas.
Agora, percebam o vínculo danoso entre elas. Em uma outra encarnação, Carolina foi mãe dessa mulher, mas, num momento de desespero e irresponsabilidade, a afogou no rio ainda enquanto bebê, tentando fugir das responsabilidades da maternidade. Na juventude, queria viver livre, sem os laços e obrigações de ser mãe. Esse episódio ficou marcado no espírito de ambas, e a Divina Providência, em sua sabedoria, escreve novos roteiros para a resolução dessas questões seculares.
Por isso, Carolina sofre a angústia da falta de ar, desde o nascimento, sem conseguir se livrar dessa sensação, pois foi ela quem matou a filha afogada naquela outra vida.
No outro quarto, encontra-se a mãe atual de Carolina, que se desdobra em cuidados, sofrendo com as condições de saúde da filha. Mãe solteira, ela se dedica totalmente à garota, já tendo levado-a a diversos médicos, na tentativa de descobrir a origem das distonias e problemas respiratórios de Carolina.
Com maior ênfase no diálogo, o Orientador nos esclarece:
- Samanta, a atual mãe de Carolina, é ninguém menos que o pai dela na outra encarnação. Foi ele quem viciou a mãe no alcoolismo, afastando-a das responsabilidades da maternidade. Abusou dela sexualmente e, por fim, a abandonou com a criança. Hoje como mãe se desdobra nos cuidados com a filha, sofrendo e resgatando os erros do passado.
Vemos aqui, meus irmãos, como as vidas se entrelaçam, como os enganos ocorrem e como o mal não fica sem o processo da reprimenda e do resgate. As três estão entrelaçadas nas problemáticas dos gravames que originaram o sofrimento atual. No entanto, hoje, esta família receberá a misericórdia.
A mãe desencarnada será adormecida com passes serenadores e a levaremos para as câmaras de tratamento. A menina, Carolina, em alguns meses, recobrará a saúde plena e, mais tarde, se ligará a uma Casa Espírita, ainda jovem, em busca de educar sua mediunidade, que aflorará já na adolescência. Ela poderá resgatar pelo amor, seus débitos, e, como médium de incorporação, receberá, em algumas ocasiões, o espírito da própria mãe, mais equilibrada, que necessitará dessa ligação mediúnica para restaurar completamente sua sanidade. Já a mãe atual participará das atividades caritativas da casa, se doutrinando no processo e conquistando ainda mais esclarecimento e simpatias espirituais.
Mais uma vez, podemos testemunhar os planos perfeitos da Providência Divina nas correções, fazendo com que erros, ódios e vinganças se transmutem em Amor.
É lindo observarmos os ajustes e o magnífico cenário do amor, demovendo os enganos e plantando o amanhã feliz.
Obrigado, Jesus, por nos permitir trabalhar nessa Seara de Luz.
Alberto Fonseca
Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 13 de março de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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