Impulsos Desproporcionais - Alberto Fonseca (967)
Podemos notar que em qualquer ambiente humano, especialmente nos religiosos, encontramos pessoas de todos os tipos — desde as mais humildes e generosas, até as mais rígidas e autoritárias.
Por que será que certos indivíduos, dentro das religiões, onde deveriam primar por união, fraternidade e estímulos verdadeiros, demonstram inflexibilidade, orgulho e hipocrisia?
A realidade é que muitas pessoas confundem conhecimento religioso com evolução espiritual. Quando alguém adquire um certo nível de entendimento doutrinário e nele se esclarece, pode vir a cair na armadilha do orgulho, se colocando num certo pedestal, acreditando-se superior aos outros.
Isso é ainda mais perigoso quando a pessoa sente que tem um papel de liderança ou que deve corrigir e doutrinar as pessoas.
Outra questão interessante é, a fé é um pilar fundamental para muitas pessoas, e questionar crenças profundamente arraigadas no ser humano pode gerar insegurança. Para evitar essa insegurança, muitos se tornam intransigentes e rejeitam qualquer visão diferente da sua.
Outro fato determinante é, muitas religiões possuem textos e traduções que podem ser interpretados de diversas formas. Algumas pessoas adotam uma interpretação literal e geram um certo dogmatismo, adotando uma visão rígida e restrita, acreditando que qualquer desvio nas palavras é um erro gravíssimo. Esse dogmatismo leva sempre às intolerâncias religiosas e de concepções.
Sem fugirmos da verdade, verificamos facilmente que, infelizmente, em alguns casos, a religião é usada como ferramenta de poder e ascensão num grupo social qualquer. Algumas pessoas encontram justo no ambiente religioso uma oportunidade de se destacar, controlar os outros e ganhar algum status social, esquecendo os princípios mais profundos da espiritualidade, os de humildade, caridade e despojamento no serviço voluntário.
Essas pessoas, quase sempre, se apresentam como donas da verdade e não toleram ser contestadas. Isso pode identificar um grande conflito interno. Elas podem conhecer os ensinamentos da sua religião, mas por não conseguir vivenciá-los plenamente, se sentem frustradas. Para esconder essa incoerência no seu comportamento, age com rigidez e condenação às atitudes alheias, sempre fiscal dos outros, tendo prazer de objetar e demandar, tornando algo que deveria ser leve e prazeroso, em algo intransigente.
Outra atitude que notamos é a verborragia dessas pessoas, que têm uma necessidade excessiva de falar, de tomar a palavra, de opinar em tudo. Raramente observam com silêncio as coisas, ou deixam os outros terminarem suas ponderações. Elas estão ávidas em exprimir seus pontos de vista e têm de manifestar seu juízo sempre para dizer suas verdades, expondo as pessoas, sem respeitá-las.
Do ponto de vista espiritual, estamos todos em evolução. A religião, assim como qualquer agrupamento social, é composta por espíritos em diferentes graus de aprendizado. O convívio com essas pessoas arrogantes pode ser um teste de paciência e humildade para quem busca a verdadeira espiritualidade.
O desafio para quem procura uma vivência religiosa mais profunda é não se deixar influenciar por essas pessoas desregradas na forma de proceder, que querem na verdade se exibir. Vaidosas como são, se escondem nessas propostas tão mesquinhas do ego e nem notam como estão agindo de maneira desproporcional.
O segredo é não se deixar contaminar por influências negativas e, ao mesmo tempo, não julgar com severidade a ninguém. A verdadeira transformação começa no exemplo e na prática do amor, da paciência e da compreensão, deixando cada um ser como deseja ser, e nós, sermos o melhor que pudermos ser.
Alberto Fonseca
Mensagem psicografada na noite do dia 13 de março de 2025, na Pituba, em Salvador, pelo médium Jorge Antônio

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