Encontro Inesquecível - Natividade (970)
Naquela manhã, era a primeira vez que O ouvia, e Simão foi tomado por algumas das mais intensas emoções.
Já não conseguia segurar a sentimentalidade que lhe inundava. As lágrimas copiosas desciam até o peito, e o rude pescador tentava esconder a emotividade, receoso de que os colegas de pescaria percebessem sua fragilidade no momento.
Mirava o Mestre com toda ternura e via seus cabelos longos, amendoados, balançando à brisa marinha. Sua voz parecia inundar seu ser, com uma musicalidade nunca antes ouvida, vinda daquele ser inusitado e inesquecível.
Simão, observador, anotava todos os gestos de Jesus. Suas mãos graciosas, de dedos longos, pareciam bailar ao ritmo exato das palavras, dando-lhes ainda mais significado, fascinando a todos, embevecendo a multidão, que, atônita, o escutava.
Era como se a acústica da alma de cada um fosse invadida, e o verbo d’Ele reverberasse no íntimo, causando transformações na essência dos seres que, atentamente, o apreciavam.
Sua vibração inundava o ar, asserenando o ambiente, e Ele, através da mansidão de Seu diálogo, revelava o desconhecido Amor, impactando as almas, regenerando nelas a esperança desfalecida.
O que estaria acontecendo exatamente com ele? Estranhou aquela afeição desigual por Jesus.
Simão o acariciava com os olhos, interrogando mentalmente de onde parecia conhecê-lo, questionando se ele seria realmente o Messias tão aguardado.
A verdade é que estava enamorado daquele homem inigualável; sentia no peito um profundo carinho por Ele e não conseguia explicar sua emotividade, sua forma embevecida de mirá-lo.
Nunca o tinha visto, não o conhecia, mas sentia a vontade de sair correndo para abraçá-Lo, de oscular suas mãos graciosas, de se ajoelhar diante de todos e beijar-lhe os pés.
Sua irradiação era inigualável. De repente, só pensava em segui-lo, para onde fosse. Já não sentia as ansiedades que dominavam seu ímpeto; próximo a Ele, sentia-se sereno, pleno, e não pensava em mais nada.
Queria segui-lo, custasse o que custasse, não mais o abandonaria. Perto d'Ele, não sentia mais fome ou sede, apenas o desejo de estar com Ele.
E, naquele frêmito, sem sentir o tempo passar, olhando profundamente para Jesus, num átimo, seu olhar encontrou-se com o de Jesus. Os olhos claros e radiantes do Mestre penetraram-lhe, atingindo o profundo do seu eu, e, de repente, ele se sentiu envergonhado pela sua pequenez.
Aproximando-se um pouco mais, Jesus tocou-lhe o ombro e disse, reverberando em todo o ser de Simão:
— Tu és Simão Bar Jonas, mas será chamado Céfas!
Abismado, Simão se questionava:
"Ó Deus, Ele me conhece? Como pode ser? Um estrangeiro, desconhecido daquelas paragens, nunca o tinha visto, como Ele sabe o meu nome?"
Aquele que João Batista chamara de o “Cordeiro de Deus” sabia o seu nome!
Seu coração acelerou descompassado, sentiu-se de certa forma lisonjeado, querido, amamentado em todas as suas fomes de viver.
Pronto! Desde aquele momento, Simão nunca mais foi o mesmo.
Numa curva vertiginosa de crescimento, tornou-se realmente a Rocha sólida que Jesus preconizou, transformando-se no líder da nova igreja cristã e no grande divulgador das palavras do Cristo, exemplificando-O na sua bondade, no seu amor e curando como Ele curou.

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