Alegria e Jovialidade - Alfredo Dantas (975)

Na Antiguidade, por extrema ignorância, acreditava-se que o comportamento humano influenciava o humor dos deuses e das forças espirituais.

As crenças se desdobravam dessa maneira, quando o homem se comportasse mal, recairia sobre as comunidades maldições, secas, pragas, guerras e perturbações. Se fossem compenetrados, a colheita seria farta, teriam saúde e paz.

Mais tarde, o homem percebeu que o medo poderia ser utilizado como ferramenta de controle, e a religião passou a ser usada de forma manipuladora, castrando e coibindo a expansão e a alegria humana.

A clausura dos monastérios e dos conventos trouxe outras formas de rigidez. O silêncio, a falta de alegria, a excessiva seriedade e a sisudez foram, assim, rastros dessa ignorância humana, vistos como sinais de boa religiosidade.

A religião era associada a disciplinas rígidas, flagelação, jejuns rigorosos, penitências cruéis e outras formas de austeridade, que fizeram parte da cultura religiosa do passado.

Essa herança de um rigor religioso, de uma postura grave, ainda perdura no psiquismo de alguns, que, erradamente, identificam aí uma ‘prova’ de santidade e de maior compromisso espiritual.

Porém, essas compleições severas, essa rigidez, é um erro e provadamente têm causado danos e afastado muitos da fé.

Muitos homens santos e religiosos exemplificaram que essas posturas são desnecessárias. Francisco de Assis, Teresa de Ávila e tantos outros, demonstraram que seguir a Jesus é um ato de paz, liberdade interior, alegria e júbilo.

Francisco, um dos exemplos mais belos de espiritualidade alegre, cunhou a frase: “Onde houver tristeza, que eu leve a alegria”. No seu hino ao Mestre querido, ele dançava, cantava e pregava com amor. E Teresa era conhecida pelo seu bom humor e registrou a célebre frase: “Deus nos livre de santos tristes!”, ambos comprovando que eram totalmente contrários a essa fachada religiosa que exige rigor e tanta seriedade.

Jesus veio mostrar ao mundo que o contato genuíno do homem com Deus acontece no íntimo, na comunhão de amor, e não por regras e posturas aparentes.

Aliás, o Mestre criticou duramente os religiosos de aparência que eram rigorosos, hipócritas e extremamente vaidosos da sua hierarquia espiritual.

O mundo muda a todo instante; com ele, mudam os comportamentos, as pessoas e as gerações. Essa sisudez, essa face carrancuda, esse rigor de tantas regras, essa falta de jovialidade e alegria nos núcleos religiosos já não cabem mais.

A alegria é o termômetro dos ambientes sadios. Engana-se aquele que pensa que jovialidade e alegria são sinais de imaturidade e irresponsabilidade nas tarefas.

É dever do bom servidor desenvolver o trabalho cristão com bom humor. Não aquele humor sarcástico e maldoso do mundo, mas o humor que faz a ponte entre as pessoas, que agrega, que traz colaboradores e motiva, gerando simpatias. O humor da capacidade de rir das coisas e de si mesmo, de se alegrar com facilidade, de ver o lado leve das pessoas e situações.

O mau humor, a face fechada, sisuda, traz antipatias, gera animosidades e pesa nos ambientes, promovendo uma aura de austeridade, que não passa de uma infantilidade espiritual e um sinal de desequilíbrio íntimo.

A alegria e a jovialidade são fios invisíveis unindo as pessoas e as forças, enquanto as posturas envelhecidas, rigorosas, trazem interpretações erradas, causam distúrbios, afastamentos e animosidades prejudiciais.

Principalmente no Espiritismo, que valoriza a liberdade do ser e o livre-arbítrio, onde as pessoas se aproximam por causa de sua mensagem redentora e se voluntariam nas tarefas da caridade por amor, não cabe esse excesso de rigor pessoal, essas posturas engessadas e circunspectas, numa vibração de gravidade, imprimindo tanta severidade nas tarefas que deveriam ser conduzidas com amor e alacridade, instituindo prazer e leveza em participar das bênçãos do trabalho cristão.

Tudo isso não passa de enganos da mente humana e também de alguns espíritos religiosos que viveram essas experiências austeras da Igreja do ontem.

Cabe a todos nós reavaliar nossas posturas e viver de uma nova maneira, irradiando alegria e jovialidade.

Inclusive naqueles em que a idade já avança, a jovialidade repousa na mente, e não no corpo. Quem se deixa influenciar por essa atmosfera rígida, irá ressentir isso no corpo, na saúde e no espírito, que não encontrará a felicidade e viverá entre as expressões da tristeza, das reclamações e das tantas dúvidas.

Imprimir alegria e jovialidade é quase um dever daqueles que querem melhor servir ao Cristo, ao próximo e a si mesmos.

Então, muita paz, alegria e jovialidade!

Alfredo Dantas

Mensagem psicografada pelo médium Jorge Antônio em 28 de abril de 2025, na Mansão do Caminho.


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