A cura do paralítico - Natividade (974)

 
A primavera chegava a Israel. Amiúde, as flores começavam a brotar no mês de abril. As festividades da Páscoa eram anunciadas em toda a Judeia.

Por causa disso, Jesus e os discípulos deixaram a Galileia em direção a Jerusalém.

Na grande capital, próxima à entrada do Curral das Ovelhas — onde eram vendidas ovelhas para o sacrifício no altar —, havia um tanque chamado Bethesda, que em hebraico significa Casa da Cura.

Esse tanque era cercado por cinco pavilhões, onde se aglomeravam todo tipo de doentes: coxos, surdos, cegos, aleijados, paralíticos, deficientes de vários tipos. Era considerado milagroso.

Segundo as crenças da época, quando as águas se agitavam, era um anjo do Senhor que ali descia. E o primeiro que adentrasse o tanque seria curado. Por isso, as águas eram consideradas sagradas.

Jesus adentrou aquele local, observando quanto sofrimento residia ali. Ao se aproximar do tanque, notou um paralítico digno de misericórdia. Esse homem padecia da paralisia havia mais de 38 anos, experimentando muitas dificuldades e sofrimento.

Jesus, vendo-o, compadeceu-se da sua situação e, aproximando-se, perguntou:

— “Queres ser curado?”

O homem, sem saber quem lhe falava, respondeu:

— “Não posso, Senhor. Tenho limitações no movimento e ninguém me leva ao tanque. Quando começo a me mexer, outro vai, entra na minha frente e mergulha primeiro nas águas. Eu nunca consigo ser o primeiro a adentrar.”

O Mestre, apiedado, sem dizer mais nada, ordenou:

— “Pega tua esteira, levanta-te e anda.”

Chocado, o homem começou a sentir uma força estranha nas pernas. E, como num instante, elas se fortaleceram. Ele conseguiu levantar-se e caminhar.

Atônito, começou a gritar e agradecer. Quando se virou para saudar Jesus, Ele já havia desaparecido na multidão.

Imaginemos o exaltamento desse homem. Quase toda a vida entregue à paralisia, sem poder andar. De repente, estava andando, pulando, dançando e louvando a Deus. Até que cruzou com um grupo de fariseus — aqueles do tipo bem hipócritas, que criticavam os outros por pequenos desvios, mas não seguiam o que cobravam.

Ao vê-lo, gritaram:

— “Não podes levar tua cama por aí! Hoje é sábado e deves respeitá-lo!”

Ao que o homem respondeu:

— “Eu era aleijado. E aquele que me curou disse: ‘Levanta-te, toma tua cama e anda’. E foi isso que fiz.”

Os fariseus, entrechocados, perguntaram:

— “Quem te fez isso no sábado?”

Em vez de se alegrarem com a cura de um sofredor, estavam aborrecidos porque, segundo eles, a lei do sábado fora desrespeitada. Interrogaram o homem insistentemente para que revelasse o nome daquele que o curara.

Mas ele respondeu:

— “Eu não sei quem foi. Ele não se revelou.”

Mais tarde, o ex-paralítico foi ao templo agradecer. E, ao entrar na nave, viu Jesus e o reconheceu. Alegrou-se, foi até Ele e tentou prostrar-se de joelhos em gratidão. Mas Jesus o impediu e o alertou:

— “Foste curado. Porém, não peques mais, para que mal maior não venha a te suceder.”

O homem então soube, por outras pessoas, que aquele que o curara era Jesus de Nazaré, tido como um grande profeta. Querendo testemunhar o ocorrido, foi até os fariseus e declarou:

— “Aquele que me curou foi Jesus de Nazaré.”

Em nenhum momento aquela raça de víboras exultou pela caridade feita ao homem. Alguns até o conheciam como paralítico. Mas, movidos por corações endurecidos, só deram importância ao que julgavam ser um crime: curar alguém num sábado.

Assim é o ser humano: despreza o mais importante para valorizar banalidades baseadas em preceitos meramente humanos.

Jesus experimentou todo tipo de perseguição por parte desses pigmeus da alma, que, pela dureza de seus corações, não eram tocados pelos gestos de fraternidade e amor do Mestre. Resvalavam na impiedade e na ignorância, perdendo a oportunidade de conhecer a Verdade — e serem por ela libertados.

Ontem como hoje, ainda encontramos fariseus em nossa sociedade: regidos por normas e regras, e bem afastados do amor.

Natividade



Mensagem psicografada médium Jorge Antônio em 24 de abril de 2025, na Mansão do Caminho

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