Posturas Arraigadas - Simão (962)
Certas posturas arraigadas no indivíduo dificultam bastante que ele cresça e realmente absorva as lições que lhe chegam através dessa professora chamada vida.
Temos infinitas possibilidades de aprendizado. Os mecanismos da Providência Divina nos estimulam a evoluir. Contudo, quando o espírito se fecha em uma redoma, percebendo o mundo apenas sob uma ótica personalista, rígida e egoísta, sem projetar as lições que recebe, estas se repetem ciclicamente, gerando sofrimento.
Apesar disso, algumas personalidades se solidificam nessas posturas atávicas e permanecem estagnadas em situações redundantes, sem perceber que continuam indo e vindo nas mesmas experiências, alterando apenas o cenário, mas mantendo a essência dos acontecimentos.
Geralmente, esse atavismo é um retrato das raízes primitivas do ser, que ainda se manifestam modulando suas atuações, voltando aos costumes atrasados que ainda não foram resolvidos.
Assim, a pessoa não consegue cooptar livremente, interagindo de maneira racional e equilibrada, mas é controlada por esses anseios prementes, que ressoam e abafam outras capacidades. Esses espíritos endurecidos, que se locupletam pelas zonas infelizes em inenarrável sofrimento e, mesmo assim, não se abrem ao amor ou ao perdão, persistem nessa busca louca por vingança contra aqueles que julgam responsáveis por sua desdita. Quando, na verdade, seus temperamentos os levam a essas zonas declinantes e, tal como cegos a tatear no nada, eles prosseguem ligados doentiamente a essas energias degradantes.
É tão difícil ajudar essas entidades, dada a dureza dos seus corações e as certezas que carregam dentro de si, acreditando que existem culpados e que devem ir à desforra, convencidas de que só assim encontrarão a felicidade e o alívio de suas dores.
Não querem e não conseguem entender que perseguir é uma sina, que odiar é tragar veneno em doses lentas e que clamar por justiça de forma infrene é, ao sentir-se vítima da vida, apenas fazer a criatura declinar, levando-a a perder o juízo de si mesma, dementando-a até os estágios lamentáveis do remorso mais tarde.
E aqueles que experimentam a vitória contra seus desafetos, logo após a grande exaltação do momento em que pensam ter obtido sua tão aguardada vingança, com o passar do tempo, veem todos os seus esforços se traduzirem em uma grande perda de tempo. E agora, sem o móvel da vingança, conhecem o abatimento do vazio existencial.
Quando o ser se deixa hipnotizar por essas forças agravantes, fora do prumo, perde sua identidade natural, e muitos já não se reconhecem, pois estão totalmente envolvidos pelos tentáculos enfermos da raiva, gerando doenças e mutações no seu perispírito.
Antagônicos a todo esse cenário desolador, apresentam-se o amor e o perdão como os combustíveis agregadores da vida, que refazem as existências, corrigem a rota e transmutam o sofrimento.
Por que a criatura demora tanto para aceitar os auspícios do amor? Será que, por ainda não conseguir vibrar nesse diapasão, muitos o acham utópico? Pode ser. É muito difícil equalizar essas loucuras embutidas nos seres.
Todavia, o curso segue e, fatalmente, todos esses, um dia, já cansados de tanto sofrer e reincidir nas mesmas dores, despertam e resolvem, enfim, mudar.
Porém, gravames foram registrados e, agora, expiarão até que consigam extinguir os estigmas que criaram, escrevendo capítulos novos em epopeias marcadas por dores e provações, reequilibrando a própria caminhada.
Aproveitemos logo as oportunidades que temos de modificar nossa marcha, cambiando o que já não cabe mais e nos limita, promovendo atrasos.
Despertemos o quanto antes para a realidade do que somos e do que imprimimos nos outros, expressando, muitas vezes, nossos vícios e imperfeições de caráter.
Devemos entender que as revoluções não são externas; acontecem a todo instante no interior, e os condutores das mudanças somos nós, os únicos responsáveis por compreender o momento propício da evolução.

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