Incontestável Avanço - Abdon Lacerda (964)
É incrível como o homem se rendeu à ignorância em relação às palavras de Jesus. Primeiro, perseguiu os cristãos, seguidores de Jesus, e, mais tarde, passou a perseguir aqueles que não queriam segui-lo. Como é controverso o homem! Radical em suas crenças, acredita que, pela força, pode moldar o pensamento alheio e instituir sua religião, impondo-a para que seja aceita a ferro e fogo.
As palavras de Jesus foram deturpadas, modificadas, controvertidas e disfarçadas. Tudo já foi feito ao Evangelho. Contudo, apesar dos enxertos, aleivosias, corrupções, adulterações e invencionices, sua essência de amor e fraternidade, implantada pelo Cristo, prossegue límpida, conduzindo os corações que se entregam às suas verdades.
Muitos afiançam que a Inquisição teve início com o Papa Gregório IX, mas, na verdade, ela foi instituída na bula do Papa Lúcio III, no ano de 1184, quando ele ordenou que os bispos da Igreja Católica começassem a investigar e perseguir os hereges, coibindo também outras crenças, como a judaica.
Havia um descontentamento com o comportamento da Igreja, que estava totalmente ligada às riquezas, esquecida da simplicidade e do Cristianismo dos primeiros dias, reclusa em seus ritos e formalidades. De forma ortodoxa e radical, decidia os conceitos da sociedade da Idade Média, tornando obscuro o aprendizado dos textos evangélicos, permitindo-o apenas aos iniciados da Igreja. Criou-se o purgatório, o limbo e os cenários infernais para dominar as massas através da manipulação do medo e dos castigos eternos, o que geraria afastamento e grande descontentamento popular.
Isso nos faz lembrar Jesus se dirigindo aos escribas e fariseus, que não vão ao paraíso e também não deixam outros encontrarem o caminho dos céus.
A Idade Média foi uma época sombria sobre o planeta, na qual as trevas agiram livremente, dominando as mentes devido à ignorância e ao estágio involuído do espírito humano.
Jesus deixou a rota para a libertação espiritual, mas nós, homens, nos demoramos nos estágios ligados às sensações rasteiras, dominados pelas paixões animalizadas, entregando-nos a todo tipo de vícios e costumes desregrados, nos quais buscamos expandir nossas mazelas, acreditando que elas poderiam nos preencher e trazer felicidade.
Só mais tarde, após mergulharmos em muitas vidas, viemos a entender que egoísmo, orgulho, inveja, ódio, poder, ira e violência, quando norteiam nossos passos, nos fazem sofrer. Descobrimos, assim, pela dor, a necessidade de mudanças.
Moisés falou ao povo rude, guerreiro e embrutecido.
Jesus trouxe a segunda revelação e falou a um povo ignorante e orgulhoso, que não podia compreender a profundidade de sua mensagem, que era essencialmente espiritual.
O Espiritismo, como terceira revelação, representa o consolador das dores humanas, pois faz o homem finalmente entender por que passa por provas e expiações e a origem de seus sofrimentos. Ele introduz as mesmas verdades apregoadas pelo Cristo, apenas reforçando-as com o aparato do intelecto, aliado à razão, à filosofia, à ciência e à religião — não mais fanática ou irracional, não mais baseada na fé cega e em crenças apoiadas em rituais e tradições, mas sim em um entendimento moral e ético dos deveres e interesses humanos, todos fundamentados em sua essência espiritual.
Jesus preparou o caminho e lançou as sementes para que germinassem no tempo e, mais tarde, pudessem florescer, conduzindo ao surgimento do novo homem, já consciente de sua organização física e de sua realidade eterna como ser espiritual.
Agora, estamos entre aqueles que já têm essa consciência, ligados a essa multidão de seres espirituais, todos unidos para que este Planeta seja transformado pela conscientização espiritual.
Sendo assim, o Espiritismo não se apresenta como a religião do futuro, mas como o futuro de todas as religiões, que, cedo ou tarde, incorporarão suas verdades, modificando o próprio corpo de suas doutrinas. Já podemos observar isso no edifício da Igreja Católica, que hoje nega certos dogmas da Idade Média. E lembramos que, naquela época, quem apenas cogitasse pensar diferente era tido como herege e entregue aos tribunais da Inquisição, tendo seus bens confiscados, sendo torturado e queimado vivo na fogueira.
Tudo isso foi feito em nome de Jesus. Pode haver algo mais absurdo e controverso do que isso? Jesus, o mestre amoroso que se deixou crucificar para implantar a fraternidade entre os homens, ser transformado em símbolo de uma cruzada, numa guerra de sangue, é algo impróprio para quem tenha bom senso e próprio de seres profundamente bestializados, ainda atrasados espiritualmente.
Não é à toa que, nas trevas abissais, onde a dor é latente, vemos esses vultos da Igreja da Idade Média ainda prisioneiros de suas loucuras, jungidos e entrelaçados aos ideais de ódio e selvageria que instauraram no planeta, degenerando a palavra cristã.
Sejamos arautos, sabendo divulgar a boa palavra, sem criar barreiras e imposições para que ela flua livre e desimpedida, atendendo à maior necessidade humana: o Amor.
Abdon Lacerda
Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 06 de março de 2025, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio.
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