Perseguições - Natividade (956)

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós, por minha causa. Exultai porque grande é o vosso galardão nos céus, porque assim fizeram com os profetas antes de vós.

Realmente, para o homem que vive controlado pelo ego, sentir-se alegre sendo perseguido é algo inconcebível. Ao ser ególatra, a personalidade própria é algo de extrema importância. Sua imagem e posição no mundo são deveras relevantes para que ele possa exultar quando injuriado.

O ego anda de braços dados com o orgulho e, para sentir-se bem, mesmo recebendo opróbrios, o homem tem que ter vencido o ego e se entregado à humildade. Para exultar, como ensina Jesus, bendizendo a dor da perseguição e das calúnias, é preciso que o ser mude radicalmente de postura, que sua perspectiva seja outra, que se dispa do ego e deixe somente a humildade no controle. Algo muito difícil ainda para o ser humano.

Para tal, o ser tem que ultrapassar as fronteiras da mente, as defesas do ego, bem como o brio da sua personalidade e das suas emoções descontroladas, saindo dessa posição meramente racional e se elevando às cumeeiras crísticas. A mente, quando alcança um estado de qualificação crística, já não se importa com certas exterioridades, já não sofre com certas artimanhas do caráter humano, já não se preocupa em mostrar nada aos outros, já não necessita provar ou justificar coisa alguma. Já não se diminui com as críticas ou se exalta com os elogios. Ela encara as coisas com naturalidade e paciência, reconhecendo que tudo lhe serve como aprendizado e avanço, no testemunho da humildade genuína.

Auto-iluminar-se, quando encarnado, não é tarefa fácil. O ego exerce um domínio e fascínio, conduzindo o ser às ações e afirmações relativas ao material, às aparências, esquecendo-se de que é por meio das conquistas espirituais que evolvemos, vencendo a nós mesmos. O ego faz o homem subir num pedestal.

Exultar-se quando caluniado, quando injuriado pelos outros, é algo absurdo. Para o ego, isso é algo impossível. O ego sofre de melindres mil e se ofende por qualquer besteira, é mesquinho quando se trata de si mesmo e da sua imagem. Qualquer besteira o avulta às posições de animosidade. Basta uma palavra entendida como destrato e o ser se camufla na ira, e o orgulho ferido parte para o contra-ataque. As disputas do ego promovem as tristes discórdias, mesmo entre aqueles que deveriam estar unidos pelos votos do assistencialismo e do socorro aos semelhantes.

Não é fácil projetar luz nas trevas daqueles acostumados aos lúgubres ensombrados e já adaptados aos seus desregramentos. Eles sentem-se confrontados, descobertos na sua pequenez, e se arrojam contra esses focos de luz e esclarecimento. A ignorância guarda muitas certezas, e a principal delas é que sabem tudo e estão bem-adaptados como estão, sem necessitar mudanças.

Continuar servindo, mesmo sob o assolar das injúrias e perseguições, é para aqueles que operam no amor, que já encontraram em si o Cristo e potencializam esses momentos de doação por meio desse amor. A mensagem do Cristo é para esses que, intimoratos, não têm medo de mudar, de abandonar o velho homem e viver o novo ser, sem se preocupar em mostrar nada aos outros, sem dogmas ou radicalismos, apenas sentindo o amor vibrando em si, nas suas tarefas, que os fazem felizes por vivenciá-las.

Um homem desse naipe não somente se alegra quando perseguido, mas se sente lisonjeado por sofrer em nome de Jesus e executar um trabalho de conscientização em nome dEle. Ele se glorifica no trabalho, nos esforços que empreende, nas tarefas que abraça, e nada o afasta desse amor em servir o Cristo. Por mais que não seja entendido, perseguido, caluniado, confrontado, ele se mantém firme e não arreda pé do serviço a que foi chamado.

Um grande exemplo dessa transformação, que muito foi perseguido e maltratado em nome do Cristo, foi Paulo de Tarso. Entre tantos profetas, discípulos, mártires, santos e servidores do Cristo, caluniados e torturados, ele foi um destaque.

Paulo foi o verdadeiro arauto do Evangelho, pregando além das limitadas fronteiras e tradições judaicas, levando a palavra para todos os povos, franqueando-a a todas as gentes. Ele foi um verdadeiro herói, um cristão de valor inestimável, a quem muito devemos. Naquela época tão difícil que eram as viagens, ele conseguiu alcançar o mundo moderno do seu tempo, disseminando o Cristianismo.

Suas epístolas maravilhosas, muitas delas escritas nas prisões úmidas e fétidas onde foi encarcerado várias vezes, trouxeram universalismo ao Cristianismo, plantando a sua semente nos confins da Terra. O corpo de Paulo era um mapa de cicatrizes pelas torturas e agressões sofridas. E olha que todos o perseguiam, todos.

Os cristãos desconfiavam da conversão dele, pois, como Saulo, ele perseguiu os cristãos. Os judeus o achavam um traidor miserável. E os romanos o odiavam por tentar implantar o Cristianismo, contrário às tradições da multiplicidade de deuses de Roma. Aliás, foram os romanos que o decapitaram. Ou seja, todos o perseguiam, caluniavam e tinham motivos para o repelir.

Então, meus caros, as perseguições que hoje sofrem aqueles que seguem o Cristo e trabalham para o esclarecimento dos semelhantes são muito pequenas para causarem qualquer abalo ou receio. Vamos juntos lembrar como sofreram os primeiros cristãos?

Perseguições, torturas e execuções públicas. Os cristãos eram crucificados, queimados vivos, esfolados – sim, isso significa terem as peles arrancadas. Eram jogados às feras, açoitados, mutilados, cegos com ferro em brasa e submetidos a tantas outras torturas. Sofriam hostilidade social e discriminação. Seus bens eram confiscados, suas residências invadidas, seus familiares seviciados e mortos ou trucidados. Seus comércios eram banidos, viviam escondidos em cavernas, marginalizados. Eram cuspidos e agredidos na rua. E tudo isso era normal. Quem isso fazia acreditava trazer um benefício à comunidade.

Do ano I ao ano IV, vários imperadores romanos decretaram perseguições ao Cristianismo. Dentre eles, Nero, Domiciano e outros. Nunca, meus filhos, foi fácil servir ao Cristo. Esse é um posto para intrépidos, corajosos e humildes, que aguardam seu galardão no amanhã.

Como bem frisou Tertuliano, pensador do norte da África convertido ao Cristianismo: "O sangue dos mártires é a semente da Igreja." Frase que bem define o que foi aquela época de perseguições e torturas.

E tu, andas reclamando de qual perseguição a ti? Não te envergonhas de ceder com tão pouco no testemunho do teu amor pelo Mestre Querido? Sigamos destemidos, seguros de que estamos no caminho da paz e renascidos no Amor Daquele que doou sua vida para termos ela em abundância.

Natividade

Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 30 de Janeiro de 2024, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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