O Bom Pastor - Natividade (952)
Jesus soube, como ninguém, ser mensageiro da Palavra Divina, a irradiar Luz na escuridão desse mundo, para orientação da sofrida humanidade. O Mestre veio para conscientizar o ser humano da sua capacidade crística, depositada na profundeza do eu, abatendo as imperfeições e dilatando as virtudes esquecidas de cada um, transformando-nos numa poderosa antena de captação do infinito e retransmissão desinteressada do Amor.
Viemos estagiar nesse mundo primitivo por uma única razão: evoluir, transformando-nos e abandonando as nossas limitações, seguindo o Cristo. O resto, por mais que pareça convidativo, não passa de ilusão ou miragem que nos desvirtuará da verdadeira rota espiritual.
Nosso Mestre era um profundo observador das atividades e ações do povo, analisando as peculiaridades culturais e os costumes locais, usando-os nas suas narrativas para melhor ilustrar suas lições, fazendo-as mais fáceis de serem absorvidas.
Jesus certamente viu, muitas vezes, quando os pastores, ao cair da tarde, reuniam suas ovelhas, tangendo-as para os estábulos. Notadamente, os mais pobres não possuíam currais próprios e eram comuns, na região, os apriscos coletivos. Assim, as ovelhas ficavam juntas com as de outros donos, nesse redil comunitário.
Olha que interessante ocorre com ovelhas. De manhãzinha, já quando os pastores retornavam para buscar o seu rebanho e as levar às pastagens, eles chamavam suas ovelhas e elas vinham prontamente e se reuniam em torno daquele pastor, reconhecendo o timbre da sua voz. Curioso é que as ovelhas não se misturavam com as outras ou iam para o pastor errado.
Sabedor desse fato interessante, observador desses currais de Israel, Jesus usou essa curiosa peculiaridade e narrou-a na passagem do Bom Pastor, de forma bucólica, singela, mas tão profunda e rica de beleza, dizendo: “Conheço minhas ovelhas e elas conhecem o seu Pastor”.
Que analogia perfeita, quando assim o Mestre nos compara às ovelhas, que seguem um único Pastor. No nosso caso, Ele, o Cristo. Naquele tempo, os rebanhos eram comuns, os apriscos coletivos bastante conhecidos por todos, e o pastor era figura típica daquela sociedade. Ele representava o cuidado, o zelo, a proteção e o guia para as ovelhas.
Que belíssima comparação! Utilizada de forma magnífica para trazer uma lição espiritual profunda àquele povo simples e engajado na cultura pecuária. Vejamos outro fato interessante, que enriquece ainda mais essa metáfora utilizada pelo Mestre. As ovelhas, quando levadas a uma pastagem, lá ficavam. Se a grama acabasse e existisse outro pasto próximo, rico em gramínea, as ovelhas não se mexiam e aguardavam confiantes pelo seu pastor, para as conduzirem à nova pastagem.
Essa correlação conosco é muito distinta, comparando-nos às ovelhas que aguardam o Guia e, sem Ele, fenecem. O que seria da humanidade sem as orientações do Cristo e sem o norte que Ele representa? Sem o seu pastor, o rebanho das ovelhas fica perdido e perece.
Outro detalhe importante ainda ínsito nessa rica passagem do Evangelho de João, capítulo 10, versículos de 1 a 18: Jesus recorda que Ele é a única porta. “Todos os que antes de mim vieram, são ladrões e salteadores... Eu sou a porta, quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagens.” Deixando assim um alerta precioso para nos acautelarmos dos falsos pastores, traduzido identicamente em falsos profetas, além das muitas enganações e ilusões que nos desvirtuam do real caminho.
O Amigo Divino assevera ser o Bom Pastor. E o Bom Pastor é aquele que verdadeiramente ama as suas ovelhas, dando a própria vida por elas. E, se alguma se perde, ele deixa as outras juntas e vai ao socorro da que se desviou. O Bom Pastor jamais abandona qualquer uma das suas ovelhas.
Quanta riqueza nessa narrativa. Quanta identificação conosco, que somos ovelhas do seu aprisco. Só Jesus sabia tocar as almas dessa maneira, usando passagens simples do dia a dia daquele povo, para ilustrar suas narrativas cheias de ensinamento e Luz.
Porém, o mais importante de tudo é a declaração de amor que Jesus nos faz, dando segurança e fortalecendo a nossa fé. Ele revela que daria a vida por nós e, verdadeiramente, o fez, no patíbulo transitório, onde sorveu o cálice dos enganos humanos e deixou o testemunho do maior Amor que a Terra já conheceu.
Dessa maneira, devemos refletir melhor sobre essa narrativa, lembrando que essa comparação das ovelhas e do pastor já está contida no histórico do povo de Israel. Esse tipo de menção em referência ao Pastor é encontrado muitas vezes nos textos bíblicos, a exemplo do Salmo 23, quando diz: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”.
A passagem convida todos nós a refletirmos sobre como nos conduzimos e as coisas e quem seguimos, na liderança real das nossas vidas. Que as fantasias do mundo, suas riquezas e prazeres, jamais nos desviem da rota para chegarmos aos currais da Tua salvação. E quando nos chame, reconheçamos a Tua voz, dentre tantas outras, falsas e enganadoras. Sigamos só a Tua, para que nos dirija às pradarias celestiais, vencendo a nós mesmos e a todas as ilusões desse mundo.
Essa narrativa continua sendo uma das mais belas e simples, convidando à confiança em Jesus e ao compromisso com o Nosso Senhor Jesus Cristo. Reflitamos um pouco mais sobre ela e observemos como ela repercute em nossas vidas atualmente.

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