Pescadores de almas - Natividade (935)
O horizonte, invisível pela escuridão da noite, agora abria seus braços aos primeiros raios de sol, saudando o astro-rei, que pintava o céu com as tintas douradas do amanhecer, aquecendo o novo dia.
A barca se aproximava da orla. Simão foi para a proa, pulando na areia tépida do lago de Genesaré. Seu irmão André, no manejo do leme, atracava a embarcação nas águas rasas e calmas.
Logo atrás, vinham Tiago e João, em outra barca. Todos os quatro gastaram as horas da noite buscando pelos peixes, sem sucesso. Nem a lanterna acesa pelo azeite, que sempre atraía a curiosidade dos cardumes piscosos, tinha funcionado naquela noite sem sorte.
As redes voltavam vazias, sem o produto das vendas, do sustento e da alimentação das famílias.
Tristes, os quatro começaram a organizar os artefatos da pesca, dobrando as malhas, quando notaram certa aglomeração seguindo a margem do lago, vindo em sua direção.
Simão notou rapidamente que Jesus vinha à frente e avisou aos outros de que se tratava do Mestre, que o tinha surpreendido anteriormente, com palavras novas, que haviam lhe tocado a alma.
Jesus chegou saudando-os, como se falasse com fiéis conhecidos, sabendo genuinamente quem eles eram, na profundidade das suas almas.
Achegando-se a Simão, pediu que ele afastasse a barca um pouco, para que pudesse falar da Boa-Nova aos ouvidos atentos e necessitados da mensagem confortadora.
Esquecendo o cansaço da empreitada da noite e a lástima do insucesso da pesca, Simão e André recolocaram o barco nas águas calmas, afastando- o um pouco, com Jesus sentado à popa da embarcação. Seguidos por João e Tiago, que vieram logo atrás.
A voz do Mestre parecia aquecer aquela manhã, tal qual o sol. Endereçando candura, compreensão e esperança às criaturas. A natureza pareceu calar-se, para que a voz doce do rabino, pudesse acalentar a acústica do ser. Os pássaros fizeram silêncio e até a maré pareceu estacionar, acalmando o vai e vem das suas ondas baixas.
O momento era de profunda contemplação e alegria.
Terminando o discurso divino, Jesus dispersou o povo e pediu a Pedro para ir mais ao fundo e lançar a rede.
Simão, aventado pelo fracasso da noite, asseverou:
- “Senhor, perdemos muitas horas e jogamos as redes em muitos lugares do mar, sem qualquer sucesso, hoje não é um bom dia para a pesca”.
Jesus apenas olhou profundamente para Pedro e ele entendeu a determinação. Lançou então a rede ao fundo, onde Jesus apontava. Em instantes, boquiaberto, viram o malho se encher tanto de pescados, que necessitaram do auxílio de Tiago e João para levantar a rede e não a rasgar, devido o peso.
Ao regressar à margem, Pedro, ainda assustado, se ajoelhou e disse:
- “Senhor, afasta-se de mim, pois sou um homem que vive em pecado”.
Falou isso atestando a postura angelical de Jesus, Aquele a quem até a natureza obedecia.
O Mestre, com uma imensa ternura, lhe disse:
- “Simão, eu não vim para os sãos, mas para os doentes. Não te preocupes com as culpas que te afligem. Eu os transformarei em pescadores de almas”.
A partir daí, os quatro largaram tudo para seguir a Jesus, inaugurando o apostolado.
Nós também podemos ser pescadores de alma, traduzindo a mensagem espírita, convidando as consciências a se iluminarem, avançando no progresso evolutivo.
Estamos todos ligados a esse roteiro e à propagação da mensagem cristã.
Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 18 de novembro de 2024, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio


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