Ele era o Cordeiro Divino - Natividade (932)

Eles eram fiéis discípulos de João Batista e estavam sendo enviados para colher informações, averiguar quem realmente era aquele que vinha realizando maravilhas por toda Judeia.

Estavam de certa forma em oposição àquele homem, pois eram fervorosos seguidores do Batista e agora, o mestre deles, se encontrava quase esquecido, preso numa cela imunda, a mando de Herodes.

Deste modo, estavam bastante magoados, pois creditavam ao nazareno a impopularidade atual de João. Pensavam até que, se não fosse pela fama repentina de Jesus, Herodes não teria aprisionado o mestre deles, já que sempre temeu a popularidade de João Batista junto à massa. Logo, esse tal de Jesus, para eles, não passava de um impostor.

Torturados com isso, mas atendendo aos pedidos de João, iam ao encalço daquele que muitos afiançavam ser o Messias tão aguardado.

Por onde passaram em busca de Jesus, e Ele lá já havia estado, todos falavam Dele com muito respeito e uma certa adoração. Eles escutavam as narrativas e as julgavam meras fantasias de um povo fascinado por uma novidade.

Na verdade, tinham no coração um certo ciúme e alguma mágoa, pois para eles, João era pulcro, um homem corajoso, um autêntico profeta incorruptível, de verbo inflamado e um verdadeiro arauto do Alto.

Esse, que eles nem conheciam e somente ouviam boatos, não deveria passar de um farsante, entre tantos outros já descobertos em Israel. E eles estavam a caminho para desmascará-lo.

Passados alguns dias, alcançaram um anfiteatro natural, onde uma verdadeira aglomeração se reunia para ouvir Jesus.

Era um povo humilde, infelizes, angustiados, idosos, doentes, aleijados, coxos, cegos, todos apascentados por aquela voz vibrante, tal como a de João, só que mais doce, com uma entonação que emanava um certo fascínio, que prendia a atenção.

Julgaram, dessa forma, que deveria ser através daquele diálogo magnetizador que Ele vinha arrebatando tantas pessoas e desqualificando, para eles, possuídos pela inveja, os discursos calorosos do Batista.

Forçando a passagem por entre as gentes, se achegaram bem próximos e, após escutar algumas palavras de Jesus, sem realmente prestar muito interesse, visto que traziam mágoas e inveja no coração, se apresentaram na frente de todos com certa empáfia, questionando o Mestre:



- “Nós somos discípulos fiéis e seguidores só de João Batista e viemos numa missão a pedido dele”.

Falaram isso com certa soberba, dizendo quem eram, se apresentando daquela maneira, algo típico das almas arrogantes, que tentam desmerecer o outro.

E continuaram:

- “João quer saber, és tu o Cordeiro Divino tão aguardado, ou haveremos de esperar por outro?”.

Jesus, consciente do que se passava no coração deles, mostrando sua ternura característica, tocou no ombro de um deles, como a pedir paciência para a resposta, e continuou seu discurso esclarecedor, caminhando por entre os aflitos, atendendo às dores daquelas almas atormentadas e sofridas.

Sua palavra confortava os corações angustiados, trazendo consolo, devolvendo-lhes a esperança e a fé.

Enfermos da epiderme eram limpos à frente de todos abismados.

Estropiados, mancos, aleijados, recuperavam o movimento ante os olhares atônitos.

Perturbados mentalmente, serenavam à sua ordem, e se mostravam pacificados ao lado dele.

Doentes de várias enfermidades eram libertos dos seus males.

Até cegos voltavam a enxergar ao toque daquelas mãos abençoadas.

Só após atender aquelas almas desgraçadas e esquecidas, domiciliadas naquela sociedade cruel e bruta, voltou-se para os servidores de João e disse:

- “Digam a João o que viram acontecer aqui. Os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os lunáticos recobram a sanidade, os cegos veem e o Reino de Deus é anunciado livremente, sem elitismos e desimpedido de dogmas”.

Em outras palavras, Jesus lhes disse: julguem a árvore pelos seus frutos.

As revelações tinham sido suficientes para tocar aqueles corações ressentidos e dominados pelo ciúme, que envergonhados agora por pensar mal de Jesus, partiam ao encontro do Batista para anunciar as coisas verdadeiras e maravilhosas que foram testemunhas, com a certeza que aquele era o Cordeiro de Deus tão esperado.

II


Bem, que essa breve narrativa possa nos trazer profundas reflexões sobre a tarefa no bem.

Quantas vezes, por um ciúme infundado e um certo brio desproporcional e intolerante, não nos damos conta de compreender o bom trabalho de esclarecimento e sensibilização dos corações, executado por outro alguém, porque estamos, exatamente, insuflados de inveja e vaidade infantil.

Perdemos, assim, a oportunidade de sermos coadjuvantes do bom trabalho, não colhendo os benefícios junto a ele, nos convertendo num estorvo, depreciando o que deveria ser considerado e estimado.

O trabalho do bem, realmente, não é algo exclusivista, mas de todos, para todos.

Quem assim age, infelizmente, ainda necessita dominar seus sentimentos egoístas e desvinculados do verdadeiro propósito cristão.

Que possamos ser irmãos genuínos, unidos pela Tarefa, auxiliando e motivando uns aos outros, sem tanto ego e vaidade envolvidos.

Paz e lucidez nas propostas!



Natividade

Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 11 de novembro de 2024, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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