A semente - Anastácia - (920)

A pequena e frágil semente, acuada, oclusa na escuridão do solo, temendo o peso da terra sobre si, receia não poder medrar, favorecendo que o broto alcance a superfície e possa ser beijado pelo sol.

Mas, com coragem, rompe os cascalhos e volta-se para a luz, ramificando, seiva a seiva, até chegar à gramínea da superfície, contornando os pedrouços e desabrochando no espaço livre do campo.

Na superfície, o pequenino broto há de lidar com as chuvas torrenciais, o clima não ameno, a geada, o frio, as ventanias de açoite, e ele, pequenino, teme perecer.

Mas, seu desejo de subir e alcançar a imensidão do céu é maior, e suas raízes se incorporam. Como garras, elas se infiltram no solo, segurando na terra e libertando o broto para crescer.

O tronco toma forma, e o caule verde, antes tenro, dá lugar ao amadeirado, com suas cascas, encorpadas e maciças, tal como as da epiderme, de fase em fase, tornando-o vetusto galho grosso e impávido.

E os galhos crescem como tentáculos que querem alcançar os astros. As folhas ramificam e, enfim, os frutos brotam, majestosos e cheios de outras sementes.

Tal qual a pequena e frágil semente, somos nós, temerosos e frágeis no começo, até que possamos medrar, crescer e frutificar dádivas.

Somos todos sementes de Deus, e vamos dar muitos frutos no amanhã.

Ontem, padecentes da ignorância, estivemos reféns dos umbrais do sofrimento. O aguilhão da dor, nota a nota, foi nos debulhando o espírito, fornecendo lições sobre o amor, e, de queda em queda, desenvolvemos o tino da razão.

Ainda somos intrépidos viajantes do universo, virgens do verdadeiro Amor, mas ele já nos toca os recônditos do ser. E, se ontem obliteramos a verdade e fizemos fenecer a luz, combatendo-a nos asselvajados impropérios do passado, hoje reiteramos a marcha e quando resvalamos, quedando, queremos de imediato levantar e correr para o seio do Amor, ansiando os seus abraços calorosos. Sabemos que não podemos mais nos afastar dele e que a sua seiva é o nosso substrato e combustível.

Agora estamos nos aprendizados do seu feitio, aprendendo o genuíno Amor que ainda não temos, mesmo, às vezes, demonstrando laivos dele. O orgulho, as vaidades, as invejas, o egoísmo e a presunção nos afastam de seu tentame, nos falta liderança fraternal e entendimento para exalar o verdadeiro Amor.

Mas, tal qual a semente que medrou e virou frondosa árvore de tronco vetusto e cheia de ramos, nós, igualmente, ramificaremos no Amor, sementando o coração a partir dele.


Libertemos esse sentimento, alforriando-o das limitações que o corpo carnal e a densidade material jugulam, e deixemos que o sentimento do Amor nos cure e desenvolva nossos espíritos.

Porque não existe subsídio sem o Amor. Sem Amor, não somos nada, e não passamos de sementes estéreis, que não medram. O Amor é o combustível do universo, a força motriz, o dínamo vivificador e o construtor da vida.

Amemos sem medo algum, brotando todas as faculdades e talentos que só o Amor pode desenvolver.

Amor, és a cura e a resposta para a existência humana. Da humílima...

Anastácia

Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 12 de maio de 2024, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio


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