Reflexões - Alberto Fonseca (910)



Iniciam-se viagens longas e curtas no trem da vida. Na estação da Terra, passageiros chegam e outros partem a todo instante, trazendo renovadas esperanças ou levando prantos de equívocos na bagagem.

Não é fácil para o viajor conservar o caminho até atingir o ponto da renovação, sem nunca se desviar da rota.

São tantos os desvios. Ao prestar atenção aos prazeres da viagem, quase sempre a imprevidência e os hábitos enganosos tiram o homem do curso proveitoso e o precipita nos abismos da infração antiga, que se repete agora em diferente cenário.

Sabendo disso, dessas intercorrências e distrações no percurso, os Amigos Espirituais descem aos trilhos da Terra e constantemente colocam sinais de alerta na estrada, visando advertir aos viajores a essência do trajeto.

Mais tarde, não poderão dizer que não foram advertidos e ressentirem.

Condicionados às diversas paisagens que se desdobram no prisma da vivência, envolvidos nas suas fainas e apaixonados pela própria personalidade, os passageiros se perdem, necessitando, assim, um chamado mais retórico para retornarem o vagão ao trilho certo.

Dito isso, recordemos as vontades que acasalamos em nós, querendo capacitar os atos heroicos e grandiosos da Caridade, que verdadeiramente fluem dos nossos sonhos evolutivos e dormem nos nossos corações.

No entanto, trocando os grandes conceitos da Caridade que albergamos e não conseguimos difundir, nos deslembramos de fazer valer primeiramente os atos pequenos que a confirmem na atual existência.

Atos, gestos e palavras miúdos, esquecidos, que identificam genuinamente que a Caridade cristã está em nós.

De quando em quando deve o homem, para o bem desse seu curso, refletir sobre a própria conduta, analisando em benefício próprio, os procedimentos do dia a dia.

A Caridade se manifesta em pequenos gestos, talvez não da forma grandiloquente dos anseios e frustrações humanas, almejando ter em si a grandeza fraternal, quando todos ainda engatinham nos procedimentos banais da convivência.

Caridade é mostrar paciência e ouvir aquele companheiro que dialoga prolongadamente, porque ainda não aprendeu a sintetizar e ser objetivo nas suas demandas.

É também, não derramar irritabilidade gratuita sobre o outro, que não tem nada a ver com nossos problemas e nossas zangas.

É se organizar melhor para poupar auxiliares e cooperadores de trabalhos de última hora e de urgência, requisitados sob uma pressão desnecessária.

Caridade é carregar um sorriso no rosto, contentando os ambientes, pois ninguém merece conviver com mau-humores e azedumes constantes.

É reconhecer os esforços alheios, elogiando o desdobramento do outro para a execução de uma tarefa.

É ter sensibilidade para entender a personalidade divergente da nossa, sem pressionar as pessoas a agirem sempre da forma que gostaríamos.

É respeitar o outro sem intromissão na sua fala, deixando que se expresse sem nossa apressada contradição.

Caridade é não apontar o dedo a ninguém, porquanto, quando outros nos apontam, nos melindramos sobremaneira.

É não implantar a discórdia entre os pares, inseminando implicâncias e rixas.

É não perseguir gratuitamente a ninguém, deixando que cada um tenha seu espaço e voz.

É furtar-se de qualquer julgamento exercendo o papel de juiz, principalmente quando não detemos a verdade dos fatos e o cogitamos numa ótica personalista e doentia.

É respeitar as regras, sim, mas não a usar com o intuito de espezinhar e desabonar o outro.

É esquivar-se de lançar a desconfiança sobre o próximo, da mesma forma que não gostaríamos que estivessem pelos cantos inventando suspeitas e descrenças nos nossos serviços.

É livrar-se de julgar e maldar as atitudes alheias, baseado apenas na nossa birra.

É desenvolver sempre a paz e não rivalidades e antipatias.

É saber pedir desculpas sinceras quando estivermos equivocados.

É eleger sempre o perdão como liame da simpatia e restauração da estima.

É não usar cargos e autoridade para perseguir e afastar quem não mereça, por simples desafeto.

É colocar os interesses da causa, acima dos pessoais.

Deste modo, asseveramos que viver em coletividade, dividindo tarefas, é uma arte e que personalidades neuróticas, não podem se esconder em validações dos serviços que prestam, causando o tempo todo conflitos e desentendimentos.

Quem muito tem a reclamar dos outros, na verdade, está mostrando o ego disfarçado nas simulações das suas queixas. Esses se enganam, pensando que os ouvidos que os recebem não notam o orgulho dissidente nas suas reclamações.

Meus caros, a Empresa do Bem não é palco para políticas e favorecimentos em séquitos de destrato e intenções de qualquer poder.

Os espíritas, por carregarem mensagem libertadora, sempre foram perseguidos e seus adversários foram numerosos.

Não cabe hoje a concorrência interna, onde tarefeiros sejam confrontados uns pelos outros por falta de tato na convivência.

Espíritas, uni-vos, o trabalho é de todos e ninguém que serve a Jesus é mais ou menos importante no desiderato da fraternidade.


Alberto Fonseca


Mensagem psicografada na sessão mediúnica do dia 29 de julho de 2024, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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