A Divina Providência - Abdon Lacerda (915)

A divina providência é de uma inteligência que não pode ser explicada através das possibilidades ataviadas da Terra.

Ela, por meio de processos libertadores, equaciona problemáticas de séculos, resolve as antipatias, os ódios ultrizes, abatendo os desejos de vingança, aplacando os crimes e demovendo dos enganos, bilhões de espíritos, por meio de uma engrenagem tão sofisticada e entrelaçada em tantos detalhes e pormenores, que seria quase impossível descrever os dados cruzados, a logística, o intrincado, fabuloso e longo planejamento técnico para que as almas se corrijam.

Ela atua, sempre, é claro, levando em conta o livre-arbítrio de cada criatura, enquanto os desdobramentos sempre favoreçam resolver pendências, saldar débitos, solucionar problemáticas.

Nem sempre, apenas uma única encarnação será bem-sucedida para resolver casos mais difíceis, necessitando que os personagens se encontrem repetidas vezes, durante diferentes existências, para que o amor abata o ódio e os erros, gerando progresso nos entendimentos.

Mas nós, trabalhadores do alto, temos que render graças a essa máquina maravilhosa de concertos, que cria oportunidades novas para a encenação das novelas humanas, encontrando um denominador de resolução.

E aí, enternecidos, testemunhamos duros inimigos, agora se amando como pai e filho, vítima e algoz, agora reunidos pelos laços da família, deixando o perdão e o amor do ventre resolverem o que não se solucionava por nada.

Ao vermos a frágil criança, com seu jeito meigo, sua candura, sua pequenez, sua voz doce, não imaginamos que ali, talvez, esteja o que era odiado, ressentido, malgrado inúmeras tentativas de união. Só agora, no corpo terno do filhinho, o ódio deu lugar ao amor, que venceu enfim a guerra dos temperamentos entre credores e devedores.

Amemos a reencarnação, os auspiciosos caminhos da divina providência para nos corrigir o passo, nos colocando na senda da regeneração.

Ó, Deus, tua ciência é tão extraordinária, nos provendo tempo infindo para tentarmos de novo, para refletirmos, para nos transformarmos.

Tu poderias nos criar de maneiras diferentes, mas tua sapiência nos fez simples e ignorantes, para, de etapa em etapa, conquistarmos a consciência liberta. Não mediante imposições ou tirania, mas livres para sofrermos e aquilatarmos que o Bem é muito mais produtivo e realizador, aprendendo com ele que a felicidade depende das nossas escolhas e que somos nós, os autores do nosso futuro, por intermédio das escolhas e do que plantarmos, já que a colheita é obrigatória na lei do retorno, exprimindo a perfectibilidade do universo e seu mecanismo de corrigenda magistral.

Graças te damos, Senhor da vida!


Abdon Lacerda

Mensagem psicografada na sessão mediúnica da quinta-feira do dia 08 de agosto de 2024, na Mansão do Caminho, pelo médium Jorge Antônio

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